O ministro do STF rebateu ataques dirigidos à sua origem nordestina e defendeu o seu conhecimento acadêmico em publicação nas redes.
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou neste domingo (20) que parte das críticas dirigidas a ele desde que chegou à Corte revela um preconceito regional de matriz racista. Em publicação no Instagram, o magistrado declarou que percebe um sentimento de ódio à sua origem geográfica em artigos publicados por veículos da imprensa.
Para ilustrar o desabafo, o post traz um mapa do Brasil com o Norte e o Nordeste destacados em verde e laranja, enquanto o Maranhão aparece em azul-marinho. As demais regiões do país figuram em tom cinza.
Sem citar veículos nominalmente, Dino reproduziu expressões que afirma terem sido usadas por críticos para se referir a ele, como “jurista de província”, “pessoa destituída de qualquer qualificação” e “oratória grandiloquente de província”. De acordo com o ministro, os ataques tentam desqualificar o seu conhecimento sobre filósofos e pensadores citados em suas manifestações na Corte:
“Como derivação desse indisfarçável preconceito regional, de matriz racista, fazem tudo para desqualificar o meu conhecimento sobre Aristóteles e outros pensadores. Sim, eu estudei a sua obra, sob a orientação do erudito professor Agostinho Ramalho Marques Neto, na UFMA. E no mestrado na UFPE, nas aulas do professor João Maurício Adeodato”.
Defesa da formação acadêmica e resposta às críticas sobre citações
Além disso, Dino combateu questionamentos sobre citações a Aristóteles feitas de improviso durante os julgamentos. Segundo o magistrado, analistas classificaram as referências como “frases que constam em qualquer manual de ensino médio” e “citações de algibeira”, além de sugerirem que alguns trechos não estariam literalmente na obra do filósofo grego.
Embora reconheça que o cargo público o submete ao debate público, o magistrado considera seu dever apontar quando determinadas manifestações ultrapassam os limites éticos:
“O exercício das minhas funções públicas exige me submeter ao debate e às críticas. Mas é também meu dever indicar quando acho que certas expressões ofendem as leis, a dignidade, a decência. Quem sabe o alerta serve para que melhorem a qualidade ética e técnica das ‘críticas’? E para que escrevam textos menos raivosos e mais consistentes.”
Por conseguinte, o ministro garantiu que continuará recorrendo a referências clássicas e culturais em seus votos. Ele citou a Constituição, leis, pensadores como Max Weber e Thomas Hobbes, além do cantor Chico César e do humorista Fábio Porchat.
Por fim, o integrante do STF expressou orgulho de sua origem maranhense e nordestina. Ele reiterou que não se submeterá a pressões e relacionou a sua posição à própria independência do Poder Judiciário.
Dino aponta preconceito regional de matriz racista em críticas para denunciar os constantes ataques à sua formação intelectual e à sua trajetória. O magistrado do STF aponta preconceito regional de matriz racista em críticas e reafirma a independência de sua atuação na Suprema Corte.
Fonte: SBT News