PUBLICIDADE

PUBLICIDADE

Militares reduzem presença na campanha de Flávio Bolsonaro

Integrantes das Forças Armadas adotam postura cautelosa e reduzem a exposição pública na candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro. O fantasma do 8 de janeiro e a falta de vínculo do candidato explicam a mudança.

A presença de militares nas campanhas ligadas a Jair Bolsonaro (PL) marcou as últimas eleições federais. No entanto, os oficiais atuam de forma mais discreta na campanha de Flávio Bolsonaro nesta disputa. A apenas quatro dias do primeiro turno, os integrantes da ativa e da reserva adotaram uma postura muito mais cautelosa.

A alteração de comportamento não significa um afastamento ideológico do movimento conservador. Um ex-ministro militar explicou que o senador possui uma trajetória profissional estritamente civil. Por isso, a ausência de vínculo com a carreira das Forças Armadas reduz a identificação direta do setor com o candidato.

Além disso, o cenário político e jurídico dos últimos anos recomenda prudência aos oficiais. A fonte destacou: “O Flávio é um civil. Ele conviveu com o pai e tudo isso, mas a vida dele, de político, é a vida de um civil. Não tem nenhum vínculo com a carreira militar”.

Consequentemente, o ambiente atual direciona a atuação das tropas para o cumprimento das missões constitucionais. O ex-integrante do governo complementou: “Além disso, a conjuntura desses últimos dois ou três anos recomenda um pouco mais de cautela ao nosso pessoal, que deve ficar mais voltado para as suas missões constitucionais: garantia da pátria, dever constitucional, da lei e da ordem. Ficar retido nisso, mas focado nesses princípios e valores. E também não temos tanta gente concorrendo a cargos eletivos”.

Investigações sobre 8 de janeiro e reflexos na atuação política

Paralelamente, as investigações e punições relacionadas aos atos de 8 de janeiro de 2023 alteraram o comportamento político da categoria. Por esse motivo, a cautela marcou a atuação das Forças Armadas no pleito. O coronel e vice-prefeito de São Paulo, Mello Araújo, declarou: “O 8 de janeiro ainda carrega medo a toda a população pela injustiça feita, da forma como foi feita, e isso, logicamente, reflete também nas manifestações”.

Diante disso, a retração dos militares em atos políticos reflete a insegurança do grupo. Mello Araújo concluiu: “Infelizmente, vejo que as pessoas têm medo de se manifestar; vivemos sob insegurança jurídica. A sociedade, e aí incluo os militares que fazem parte deste contexto, hoje mede até o que escreve nos grupos de WhatsApp, ou literalmente o que pensa. O pensamento, quando escrito, parece que virou crime”.

Por fim, a equipe de campanha do candidato tenta manter a proximidade com o eleitorado conservador. Contudo, os articuladores evitam a exposição excessiva de fardados no palanque.

PUBLICIDADE

Leia também

PUBLICIDADE

PUBLICIDADE