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PIB confirma efeito da política monetária sobre atividade

Imagem: Freepik

Análise de Antonio Ricciardi, economista do Daycoval

De maneira geral o PIB veio um pouco acima do que a gente havia projetado, que era 0% na passagem do terceiro para o quarto trimestre, que veio 0.1%, fechando o ano em 2.3% enquanto a gente esperava 2.2%. Apesar dessa divergência, a composição do PIB está muito parecida com o que a gente esperava. Isto é, o PIB ainda continua sendo boa parte influenciado pelos itens não cíclicos, enquanto os itens cíclicos continuam mostrando desaceleração. Isso é possível perceber uma vez que tanto a agropecuária quanto a indústria extrativa variaram 12% na variação year-over-year no quarto trimestre.

Esse resultado é muito positivo e impulsionou fortemente o PIB do quarto trimestre. Além disso, quando a gente analisa os itens mais cíclicos, como o consumo das famílias e a indústria de transformação, a gente percebe uma desaceleração bem forte. O consumo das famílias ficou estável, mas com variações no year-over-year desacelerando claramente dos quase 4% no começo do ano para 1% agora. Além disso, a formação bruta de capital fixo está variando negativamente na variação ano contra ano. 


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Política monetária sofre efeitos

Com isso é possível perceber que apesar do resultado um pouco acima da expectativa, é possível perceber que a política monetária tem sentido efeito nos itens em que ela tem maior sensibilidade. Isto é, principalmente na indústria, na formação bruta de capital, e também é perceptível no consumo. A construção também aparece como um item importante variando negativamente no ano contra ano. Isso mostra mais um setor, dos mais sensíveis ao ciclo, com arrefecimento. 

Por fim vale salientar que o bom desempenho também do quarto trimestre foi influenciado pelas exportações, principalmente de milho e soja. Tanto no ano e, ainda mais forte, no quarto trimestre, uma vez que teve um espaçamento das exportações durante o ano, principalmente de soja, e também pelas safras recordes da soja e do milho que trouxeram consequências positivas.

Com isso os resultados do PIB mostra uma desaceleração com relação ao PIB de 24. Na composição os itens mais sensíveis à política monetária estão desacelerando de maneira mais intensa e o resultado do PIB vem sendo sustentado pelos itens não cíclicos. Todavia, para 2026, esse movimento, ele tende a mudar, uma vez que a safra de agro neste ano tende a ser parecida com a de 2025, então a variação ano contra ano deve ser tão relevante. E terão também algumas medidas do governo, principalmente a isenção do IRPF, que deve impulsionar o consumo. Então, os itens cíclicos devem ter um impacto positivo, apesar da política monetária restritiva. Isso deve ter alguma mudança, agora, no primeiro trimestre.

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