Reportagem apresentada pelo Fantástico neste domingo (25), demonstrou o risco à saúde das pessoas que compram canetas emagrecedoras conhecidas como Mounjaro, contrabandeadas do Paraguai. Segundo a reportagem, no país vizinho, comerciantes vendem as canetas facilmente, mesmo ainda de forma clandestina, negociando-as no meio da rua. Propagandas improvisadas pelos próprios laboratórios ou intermediadores oferecem os produtos, abordam os clientes e os conduzem até as farmácias. Nas farmácias, ao adquirir o produto, os atendentes já avisam sobre a proibição e orientam os compradores a esconderem as canetas para conseguir passá-las pela alfândega para o lado brasileiro.
A Agência de Vigilância do Paraguai emitiu um alerta sobre o uso da tirzepatida, princípio ativo mais usado em algumas canetas emagrecedoras Mounjaro. O documento afirma que a substância representa grave risco à saúde pública, pois não é possível garantir sua composição, qualidade, segurança e eficácia. Ademais, do lado brasileiro, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) informou, também em nota, que não autoriza a comercialização de medicamentos sem registro no Brasil em hipótese alguma. Ela só permite a aquisição por pessoa física, com prescrição médica, para uso particular.
Internação e doença gravíssima
Em novembro, Kellen Oliveira, de 42 anos, fez uso de uma caneta vinda do Paraguai proibida no Brasil. Assim, dias depois, ela começou a sentir fortes dores abdominais e precisou de internação. O diagnóstico de Kellen, foi a síndrome de Guillain-Barré, doença autoimune que provoca fraqueza muscular e pode paralisar o corpo. Porquanto, Kellen segue internada na UTI.
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Dados da Receita Federal apontam o crescimento acelerado do contrabando de canetas emagrecedoras clandestinas. Em 2024, as autoridades apreenderam 2.500 unidades. Já em 2025, apreenderam mais de 30 mil unidades, com valor estimado em cerca de R30 milhões. Ainda segundo o Fantástico, pesquisas indicam que as autoridades conseguem apreender apenas 5% de tudo que entra ilegalmente no Brasil. A estimativa é de que o mercado clandestino movimente cerca de R$ 600 milhões por ano.
Para a Sociedade Brasileira de Endocrinologia, o tratamento com as canetas emagrecedoras é um divisor de águas no combate à diabetes e à obesidade. No entanto, laboratórios autorizados pela ANVISA devem produzir os medicamentos, pois somente esses realizam diversos testes de qualidade e pureza, o que garante a eficácia do tratamento sem risco à saúde.
“São medicamentos muito bons. O grande problema está no uso inadequado, sem orientação médica, e na compra em fontes duvidosas, onde o produto pode não ser aquele, ter qualidade ruim ou estar contaminado”, conclui Felipe Henning Gaia Duarte, presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia – Regional SP.
Segundo a Delegada de Proteção ao Consumidor e Saúde Pública do RS, Milena Simioli, comprovado a falsificação da medicação a pessoa responde pelo crime de contrabando, mas também, pelo crime contra a saúde pública e a pena pode ser de 10 a 15 anos de reclusão.