Subsídios estatais e avanço tecnológico impulsionam a presença de produtores chineses de proteína no mercado internacional com preços até 20% inferiores aos dos concorrentes.
Expansão das exportações e avanço no mercado global
A China amplia exportação de carne e desafia o Brasil ao registrar US$ 2,6 bilhões em vendas externas de produtos avícolas no último ano. Dessa forma, alcançou o dobro do volume apurado em 2020. Dados oficiais das autoridades alfandegárias chinesas confirmam que o país asiático tornou-se exportador líquido de frango no período recente. Assim, impulsionado por fortes subsídios estatais e por investimentos maciços em tecnologia agroindustrial. Com isso, empresas locais colocam excedentes de peitos, nuggets e alimentos processados em mais de 20 países da Ásia, Europa, África e Oriente Médio. Em contrapartida, esse fluxo contínuo de proteína de baixo custo impacta as margens de grandes concorrentes tradicionais instalados no Brasil. Também, na Tailândia e em países da União Europeia.
Nesse sentido, o avanço chinês no setor de carnes repete o padrão operacional adotado por Pequim em segmentos industriais estratégicos, como o de aço, painéis solares e veículos elétricos. De acordo com a consultoria especializada Gira, a China dobrou sua participação no mercado de aves processadas da União Europeia nos últimos dois anos, atingindo 10% de presença. Além disso, os produtores chineses triplicaram suas fatias de mercado no Reino Unido, ultrapassando o patamar de 14%.
AVANÇO CHINÊS NO MERCADO DE AVES
Indicador de Desempenho Valor / Variação
Exportações de frango (último ano) US$ 2,6 bilhões (2x vs 2020)
Participação na União Europeia 10% (dobrou desde 2022)
Participação no Reino Unido > 14% (triplicou)
Preço médio do frango chinês 10% a 20% menor que o Brasil
Preço competitivo e concorrência direta com o Brasil
A vantagem de custo das empresas chinesas sobre os exportadores brasileiros atinge níveis substanciais na comercialização internacional de proteína animal. “Mas quando a carne custa US$ 1.000 a menos por tonelada do que a dos concorrentes brasileiros e tailandeses, eles têm que comprar da China ou sair perdendo”, afirmou Dang Yangyang, gerente-geral da processadora Wintop Food, à agência de notícias Reuters. A empresa opera instalações automatizadas na província de Shandong e abate cerca de 60 milhões de frangos anualmente.
Paralelamente, a redução nos valores praticados atrai compradores internacionais em busca de insumos agrícolas de menor valor. “Começamos a comprar aves da China em março, após clientes africanos buscarem alternativas mais baratas às importações brasileiras”, disse Ezequiel Pires, presidente da trading internacional de carnes Branexx. Pires destacou que os cortes de peito e coxa de frango de origem chinesa chegam ao mercado externo com preços entre 10% e 20% menores em comparação com os embarques procedentes do mercado brasileiro.
Mudança no consumo interno e incentivos do governo
A forte expansão das vendas ao exterior responde diretamente à alteração no padrão alimentar dos consumidores urbanos da China. Historicamente focado na carne suína, o consumo per capita do alimento caiu 13% no país desde o pico registrado em 2023. Em contrapartida, o consumo individual de carne de frango saltou mais de 50% na década encerrada em 2024. As autoridades estatais chinesas concederam incentivos fiscais para reconstruir o rebanho e ampliar granjas corporativas após a epidemia de peste suína africana de 2018 e a pandemia de covid-19.
Segundo estatísticas divulgadas pela OCDE, os subsídios estatais representaram cerca de 13% da receita bruta dos produtores chineses entre 2022 e 2024, índice correspondente ao triplo da taxa registrada no início dos anos 2000. Essa política de estímulo gerou supercapacidade de produção em momento de desaceleração econômica e queda populacional. O país produziu a marca recorde de 59 milhões de toneladas de carne de porco no ano passado, acompanhada por uma alta de 7% no volume total de aves.
Investigações de dumping e novos mercados
Diante da entrada maciça de proteína chinesa no comércio internacional, a Comissão Europeia adotou medidas de proteção cambial e comercial contra o país asiático. O órgão europeu fixou direitos antidumping entre 41% e 67% sobre as importações de proteína de ervilha originárias da China. Além disso, as autoridades comunitárias investigam o comércio de pato laqueado e monitoram o fluxo de frango com planos de criar regras rígidas de rotulagem a partir de 2027.
Em contrapartida, as companhias de proteína da China aceleram sua presença geográfica em países em desenvolvimento na Ásia, África e América do Sul. Analistas de mercado ressaltam que as empresas nacionais continuam trabalhando para superar desconfianças internacionais ligadas ao histórico de segurança alimentar. Por fim, produtores mundiais reorganizam suas redes de distribuição e custos logísticos enquanto a China amplia exportação de carne e desafia o Brasil na disputa pelo abastecimento global.
Fonte para a notícia:
CNN Brasil