Estimativa da IEA era que o país superasse 66 GW ao fim de 2027, mas meta foi atingida quase dois anos antes
O Brasil poderá triplicar sua atual capacidade operacional em energia solar (22,9 GW). Em consequência, ultrapassar a marca de 66 GW de potência instalada até o fim de 2027. Essa era a projeção feita em dezembro de 2022 pela IEA (Agência Internacional de Energia, na sigla em inglés) para o mercado brasileiro.
No entanto, os resultados superaram essa estimativa com mais de um ano e meio de antecedência.. Dados atualizados nesta semana pela ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) mostram que o país já atingiu cerca de 67 GW de capacidade instalada em energia solar.
O número considera a soma da potência instalada em usinas de grande porte (geração centralizada). Assim como, em pequenos sistemas de geração própria instalados em residências, comércios e indústrias (geração distribuída).
Quando divulgou a projeção, a IEA estimava que entre 40 GW e 44 GW seriam adicionados pela geração distribuída até o fim de 2027. Esse patamar que já foi ultrapassado. Atualmente, a modalidade se aproxima dos 46 GW instalados no Brasil.
No caso da geração centralizada, a expectativa da agência internacional era que o país alcançasse entre 22 GW e 26 GW até o fim de 2027. Esse deverá ser atingido sem muitas dificuldades, uma vez que hoje o Brasil possui cerca de 21,5 GW no segmento.
Curtailment dificultam melhor desempenho
Segundo profissionais do setor, os números poderiam ser ainda mais expressivos. Esse fator não ocorre, devido alguns desafios regulatórios e operacionais enfrentados pela fonte. Alguns pontos relacionam questões à inversão de fluxo nas redes de distribuição. Outros, são os cortes forçados de geração nas grandes usinas, prática conhecida no setor como curtailment.
Esses cortes já resultaram na perda de energia equivalente ao consumo anual de cerca de 26 milhões de residências brasileiras.
O presidente do Conselho de Administração da ABSOLAR (Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica), Ronaldo Koloszuk, avalia que, sem esses entraves, a expansão da fonte solar no país poderia estar ainda mais avançada.
“Trata-se da fonte mais competitiva, rápida de implantar e que também está alinhada às metas de descarbonização. O Brasil, por sua abundância de recursos solares, tem uma oportunidade estratégica de liderar esse movimento”, destaca.
Já o CEO da ABSOLAR, Rodrigo Sauaia, afirma que o Brasil pode explorar ainda melhor o seu potencial solar. Para tanto, é necessário avanços regulatórios e novos investimentos em infraestrutura.
“Os cortes e a dificuldade de conexão de pequenos sistemas acendem um alerta para a necessidade de modernizar o planejamento e acelerar os investimentos na infraestrutura do setor elétrico, sobretudo em linhas de transmissão e novas formas de armazenar a energia limpa e renovável gerada em abundância no país”, afirma.
Nesse contexto, Sauaia ressalta que a integração entre geração solar e sistemas de armazenamento em baterias pode desempenhar um papel estratégico para aumentar a flexibilidade do sistema elétrico brasileiro.
“Neste sentido, a combinação da geração solar com sistemas de armazenamento em baterias representa uma oportunidade estratégica para ampliar o suprimento, aumentar a segurança da operação do sistema elétrico, reduzir custos aos consumidores e contribuir de forma ainda mais consistente para o desenvolvimento do Brasil”, conclui.
Fonte: Henrique Hein – Canal Solar