Patrimônio caiu 20% desde 2022 e diz ser “impossível enriquecer na política sendo honesta” e tendo “bom gosto para se vestir”
Candidata à reeleição, a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) declarou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) um patrimônio de R$ 15.975,73 para as eleições de 2026. O valor é 20,08% menor que os R$ 19.989,96 informados pela parlamentar na eleição de 2022. A declaração gerou ampla repercussão e críticas nas redes sociais, inclusive entre parte de seus próprios apoiadores, que questionaram o valor dos bens declarados.
A maior parte dos bens declarados neste ano está em uma conta corrente da Caixa Econômica Federal, com R$ 13.602,14. Erika também informou R$ 1.745 em uma aplicação de renda fixa no Nubank, R$ 329,03 em Tesouro Direto e R$ 299,56 em RDB.
Em 2022, a deputada havia declarado apenas R$ 4,51 na conta corrente. Naquele ano, a maior parte dos bens estava concentrada em aplicações de renda fixa. Já na eleição municipal de 2020, quando concorreu à Câmara Municipal de São Paulo, Erika declarou não possuir bens.
Erika rebate críticas: “bom gosto para se vestir”
Procurada pelo SBT News, Erika afirmou que o patrimônio declarado está relacionado à forma como utiliza sua renda e criticou o que considera uma cobrança desproporcional sobre seus bens.
“O que me choca é ver dedicarem mais atenção a uma parlamentar jovem, que não acumula patrimônio porque o próprio salário é destinado a ajudar a família, apoiar pessoas próximas, quitar dívidas e garantir um mínimo de conforto, do que a políticos que se apresentam como donos da moral e dos bons costumes, mas que, eleição após eleição, multiplicam seu patrimônio de forma impossível de se explicar”, afirmou.
“Queriam o quê? Que eu tivesse comprado mansões à vista? Desculpem a decepção, mas é impossível enriquecer na política sendo honesta, arrimo de família e tendo bom gosto pra se vestir!”, completou.
Segundo a Câmara dos Deputados, Erika recebe salário bruto mensal de R$ 46.366,19. A parlamentar também recebe auxílio-moradia de R$ 4.253 por mês por não ocupar um dos apartamentos funcionais disponíveis para deputados em Brasília. Neste ano, ela já recebeu R$ 25.518 do benefício.
Bolsa de grife gerou críticas
O patrimônio declarado ao TSE voltou a chamar atenção em meio a episódios envolvendo o estilo de vida da parlamentar. Em julho de 2025, Erika publicou nas redes sociais uma foto usando uma bolsa Padded Cassette, da grife italiana Bottega Veneta. O modelo novo era avaliado em R$ 27.420 no site da marca à época.
Em 2024, durante uma viagem oficial à Europa, o público também criticou a deputada após ela comparecer a um show de Beyoncé, em Paris. Erika explicou que a Câmara custeou as passagens relacionadas aos compromissos oficiais dentro das regras e que ela pagou o ingresso do show e os demais gastos do período de lazer com recursos próprios. Entre os compromissos oficiais estavam atividades relacionadas à Parada LGBT de Lisboa.
Outro episódio envolve um reembolso de aproximadamente R$ 24,7 mil recebido pela deputada em 2024 para despesas relacionadas à parte funcional de uma cirurgia no nariz. Segundo Erika, o ressarcimento foi referente ao tratamento de problemas respiratórios, enquanto a parte estética do procedimento foi paga por ela.
Gastos do mandato
As despesas relacionadas ao mandato também já foram alvo de questionamentos. Dados da Câmara de 2024 apontaram R$ 486.517,78 em gastos de verba parlamentar associados ao mandato de Erika Hilton. Entre as principais despesas estavam cerca de R$ 205 mil em passagens aéreas e aproximadamente R$ 125 mil em divulgação da atividade parlamentar.
Esses valores, porém, têm natureza diferente do patrimônio pessoal declarado ao TSE. Logo, deputados destinam verbas parlamentares ao exercício do mandato, e esses recursos seguem regras específicas de utilização e prestação de contas.
Da mesma forma, a comparação entre o patrimônio declarado e itens de luxo usados publicamente não permite, por si só, concluir que esses objetos pertençam à deputada ou que exista alguma irregularidade. Pessoas ou marcas podem emprestar, alugar ou ceder roupas e acessórios, enquanto a legislação também não integra automaticamente viagens oficiais e reembolsos da Câmara ao patrimônio pessoal informado à Justiça Eleitoral.
Por: André Barbeiro
SBT News