O presidente defendeu o equilíbrio das contas públicas em resposta às pressões do setor financeiro e à volatilidade do câmbio.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez acenos ao mercado financeiro nesta quinta-feira (5), em Brasília, após semanas de pressão por medidas de equilíbrio fiscal. O movimento responde às instabilidades registradas desde as eleições, período em que a bolsa perdeu 30 mil pontos e o dólar atingiu R$ 5,48. Além disso, o Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a taxa Selic em 13,75% ao ano, justificando a decisão pelo cenário fiscal. Em reunião no Palácio do Planalto, o petista defendeu responsabilidade jurídica para atrair capitais externos. Diante desse cenário econômico, Lula acena ao mercado após alta do dólar e juros.
Paralelamente, o chefe do Executivo reuniu autoridades da área econômica e economistas convidados para discutir saídas para o orçamento público. Estiveram presentes o vice-presidente Geraldo Alckmin, o ministro Dario Durigan (Fazenda) e o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante. Ex-ministros como Fernando Haddad e Guido Mantega também participaram das conversas.
Debates fiscais e agenda internacional
Entretanto, o encontro presencial terminou sem a deliberação de propostas definitivas. O ministro Dario Durigan afirmou que consultará agentes do mercado financeiro e a sociedade civil antes de apresentar propostas formais ao Planalto.
Por sua vez, o Banco Central utiliza a taxa básica de juros como instrumento central no controle da inflação. Ao manter a Selic elevada, a autoridade monetária busca encarecer o crédito e desaquecer o consumo para conter a alta nos preços.
Nesse sentido, a declaração de Lula representa uma alteração de tom frente às críticas recorrentes direcionadas à Faria Lima. “Ninguém vai querer vir fazer investimento numa economia totalmente desordenada”, declarou o presidente durante a reunião governamental.
Além disso, o mandatário gravou um pronunciamento em rede nacional programado para ir ao ar no domingo (8). No discurso, o petista reafirmará o compromisso com a sustentabilidade das contas, embora sem detalhar cortes de gastos específicos.
Por fim, o governo federal adiou a apresentação do pacote fiscal definitivo por pelo menos uma semana. A discussão final ocorrerá apenas após o retorno da viagem oficial à Turquia e às Filipinas, agendada para o período entre 9 e 16 de novembro. Assim, Lula acena ao mercado após alta do dólar e juros.
Fonte:
Daniela Santos
Metrópoles