O presidente reeleito recebeu Hugo Motta e Davi Alcolumbre em Brasília para estruturar a base aliada diante do fortalecimento da oposição parlamentar.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) iniciou a articulação política de seu quarto mandato em reunião realizada nesta segunda-feira (26/10), no Palácio da Alvorada, em Brasília. Lula reúne líderes do Congresso para iniciar articulação de governabilidade com os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). O encontro durou duas horas e visou aproximar o Palácio do Planalto das legendas do Centrão para a próxima legislatura.
Ambos os parlamentares apoiaram a reeleição do petista, embora suas legendas tenham formalizado apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno. Agora, Motta e Alcolumbre deverão funcionar como pontes entre o Poder Executivo e as bancadas partidárias a partir de 2027.
Disputa por ministérios e divergências partidárias
Nas redes sociais, o presidente da Câmara informou que compareceu ao Alvorada para saudar o presidente reeleito e “reafirmar nosso compromisso de harmonia entre os Poderes”. Paralelamente, o presidente do Republicanos, Marcos Pereira, reconheceu publicamente a vitória de Lula e defendeu um diálogo institucional com o Congresso Nacional.
Nesse sentido, a bancada do PP apresentou posições distintas quanto ao posicionamento em relação ao governo federal. O senador eleito Arthur Lira (AL) defendeu a atuação com “diálogo e responsabilidade”. Em contrapartida, a senadora Tereza Cristina (MS) indicou atuação na oposição para fiscalizar as ações do Executivo.
Além disso, a negociação de cargos na Esplanada dos Ministérios precisará conciliar as demandas de parlamentares e a acomodação de aliados derrotados nas urnas. Entre os nomes avaliados para a gestão de 2027 estão a deputada Gleisi Hoffmann (PT), as ex-ministras Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB), além do ex-ministro Fernando Haddad (PT).
Desafios na composição do Legislativo e vaga no STF
Outro ponto de negociação institucional envolve a indicação pendente para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). O nome de Rodrigo Pacheco, ex-presidente do Senado e atual integrante do Tribunal de Contas da União (TCU), voltou a circular nos bastidores do Planalto. A indicação prévia do advogado-geral da União, Jorge Messias, sofreu rejeição prévia pelos senadores.
Nesse contexto, a oposição partidária mantém o controle dos maiores blocos na Câmara dos Deputados e no Senado Federal. O PL contará com 121 deputados federais e 29 senadores na próxima legislatura, enquanto o PT terá 70 deputados e dez senadores.
Dessa forma, a construção de uma base aliada no Congresso Nacional exigirá negociações permanentes com legendas de centro. Diante desse cenário adverso nas urnas, confirma-se o empenho do governo eleito no momento em que Lula reúne líderes do Congresso para iniciar articulação.
Fonte:
Maria Laura Giuliani
Metrópoles