Votação de MP deve repetir roteiro do fim da escala 6×1, ainda em negociação no Senado
A votação no Congresso da Medida Provisória (MP) que acabou com a taxa das blusinhas promete ser um novo “round” entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), rompidos desde abril. Assim, o texto deve viver o mesmo roteiro do fim da PEC do fim da escala 6×1, que ainda enfrenta resistências entre os senadores após aprovação com ampla maioria na Câmara.
Logo, o Senado vê a mudança na jornada de trabalho e o fim da taxa das blusinhas como pautas eleitoreiras que o Planalto despachou sem discussões. Assim, sob reserva, interlocutores afirmam que Alcolumbre e seus aliados não querem entregar “de mão beijada” duas pautas positivas para a campanha de Lula. Logo, ainda mais frente à pressão do empresariado.
Prazos legislativos e articulação empresarial
Além disso, os senadores consideram a mudança na jornada de trabalho e o fim da taxa das blusinhas pautas eleitoreiras, e acusam o Planalto de despachá-las sem discussões. Assim, o Congresso ainda não instalou a Comissão Mista dedicada a analisar o texto da MP, que depois ainda precisa passar por Câmara e Senado.
Uma das principais lideranças da “resistência” do empresariado à PEC do fim da 6×1, o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, também deve buscar parlamentares para reverter o fim da taxa das blusinhas, criada pelo próprio governo Lula e pelo Congresso para apoiar o setor produtivo brasileiro.
“Estamos acompanhando o tema de perto. É um absurdo o próprio governo que colocou os 20% e tirar os 20%. Qual a explicação? É a eleição, fazer média. Não estão vendo o interesse do país. Você não pode sobrecarregar os produtos de quem gera emprego no Brasil e desonerar os produtos que geram empregos na China”, afirmou Skaf à coluna.
Por Eduardo Gayer
SBT NEWS