Com cadeia consolidada, a resina PET PCR ganha protagonismo entre fabricantes no uso de reciclados
A indústria de embalagens plásticas passa por uma transformação impulsionada por novas metas ambientais. Estabelecidas pelo Decreto Federal 12.688/2025, que regulamenta o sistema de logística reversa.
Assim, a entrada em vigor de regras que fixam percentuais progressivos de reciclagem e incorporação de material reciclado. Portanto, tem levado as empresas a buscar alternativas para adequar seus produtos e processos.
Segundo conteúdo publicado pelo portal Mundo do Plástico, a disponibilidade de PET reciclado pós-consumo (PET PCR) em escala industrial e sua capacidade de retornar ao ciclo produtivo como matéria-prima para novas embalagens fazem da resina uma das principais alternativas para atender às novas exigências do Decreto.
Portanto, diferente de outros materiais reciclados, que ainda enfrentam desafios de escala ou padronização, o PET possui uma das cadeias de reciclagem mais desenvolvidas do país. A resina reciclada pode ser utilizada novamente na produção de embalagens para bebidas. Além disso, alimentos, produtos de higiene, limpeza e cosméticos, além de aplicações em outros segmentos industriais.
Mais do que uma alternativa ambiental, o PET PCR passou a ser considerado um insumo necessário para empresas que precisam conciliar a conformidade regulatória, metas de sustentabilidade e competitividade.
Cadeia consolidada favorece o avanço do PET reciclado
Segundo o 13º Censo da Reciclagem do PET no Brasil, realizado pela Associação Brasileira da Indústria do PET (ABIPET), em 2024 o país reciclou 410 mil toneladas de embalagens PET. Esse volume representou um marco de 53% das embalagens descartadas voltando ao mercado, o equivalente a mais de 13 bilhões de garrafas.
O volume de PET reciclado cresceu 49,6% entre 2015 e 2024, passando de 274 mil para 410 mil toneladas. Parte significativa desse material retorna às prateleiras na forma de novas embalagens. Assim, em um processo conhecido como bottle-to-bottle, no qual a resina reciclada é utilizada novamente na fabricação de garrafas para bebidas e outros produtos.
Essa estrutura consolidada de coleta, processamento e reaproveitamento fortalece o papel estratégico da resina reciclada. Logo, amplia a capacidade da indústria de atender às novas exigências regulatórias.
Fatores Econômicos e o Impulso da Economia Circular
Além da regulamentação, fatores econômicos também favorecem a ampliação do uso de PET PCR. A alta recente no preço da resina virgem, influenciada por oscilações no mercado internacional de petróleo e pelos impactos do conflito no Oriente Médio sobre a logística global, tem reduzido a diferença de preço em relação ao material reciclado.
Tradicionalmente, a resina reciclada compete com a matéria-prima virgem. Quando essa diferença de preços diminui, fabricantes encontram menos barreiras econômicas para ampliar o uso de conteúdo reciclado nas embalagens. Assim, atuam favorecendo tanto o cumprimento das metas ambientais quanto o fortalecimento da economia circular.
Logo, com a combinação de novas exigências regulatórias, uma cadeia de reciclagem já consolidada e um cenário econômico mais favorável ao uso de resinas recicladas, o PET PCR tende a ganhar espaço na indústria de embalagens.
Mais do que atender às metas da logística reversa, sua utilização fortalece a transição para um modelo de produção em que os resíduos retornam ao ciclo produtivo. Dessa forma, reduzindo a dependência de matérias-primas virgens e ampliando o potencial da economia circular.
Por Andrea Godoy
Search One