Na noite desta última terça (27), o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União), anunciou sua filiação ao Partido Social Democrático (PSD) de Gilberto Kassab. Não só, mas ladeado por Ratinho Jr, governador do Paraná e Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul, Caiado afirmou que é um gesto de total desprendimento. Ainda afirmou que, o novo partido é quem decidirá qual dos três será o candidato à Presidência da República.
O governador de Goiás, publicou o anúncio em sua rede social. Caiado agradeceu ao União Brasil, partido ao qual ele se filiou em 1994 e permaneceu por mais de 30 anos. O partido surgiu em 1985, com a sigla de Partido da Frente Liberal (PFL). Posteriormente, em 2007, o partido alterou seu nome para Democratas (DEM) e, em 2022, após se fundir com o Partido Social Liberal (PSL) — partido pelo qual o presidente Jair Bolsonaro se elegeu em 2018 —, criou o União Brasil:
“Sou grato ao União Brasil, onde construí uma trajetória de coerência e defesa do país. Mas chegou a hora de dar um passo adiante e hoje, com total desprendimento, nos juntamos para construir um projeto de verdadeira mudança para um novo Brasil”, afirmou Caiado.
Federação entre UB e PP e divergência com Ciro Nogueira (PP) pode ter motivado mudança partidária
Caiado, desde o anúncio de sua pré-candidatura ao Planalto em julho de 2025, se sentia escanteado pelo União Brasil. Uma vez que ele não vê com bons olhos a proximidade da formação de uma federação com o PP, aguardada para as próximas semanas. Assim, Caiado avisou aos dirigentes dos partidos, ACM Neto e Antônio Rueda, de que não gostaria de continuar no grupo. Ademais, Ciro Nogueira (PP), com quem tem sérias divergências políticas é figura líder no partido, o que poderia ter motivado a decisão de mudança: “Vi que não teria condição de continuar candidato no União Brasil”, desabafou. “Eu ser vetado por um quase ex-senador é duro”, disse Caiado ao alfinetar Ciro.
Segundo a Colunista do SBT News, Basília Rodrigues, Caiado afirmou que conversou com Flávio Bolsonaro (PL), para tratativas dos rumos políticos da direita nesta próxima eleição. Eventualmente, o encontro ocorreu há uma semana, na casa de Flávio, em Brasília. “Disse a ele que tinha que procurar um partido, que com a federação do União Brasil com o Progressistas, eu não tinha chance de consolidar candidatura”, afirmou Caiado. “Flávio me disse que temos que repetir o que ocorreu no Chile, em que vários candidatos de direita saíram e no fim foi eleito um centro-direita”, disse.
A estratégia será fragmentar várias candidaturas para retirar votos do presidente Lula (PT), e, posteriormente, no segundo turno, vencer a eleição. Caiado afirmou que, o primeiro contato com Kassab, se deu no fim de 2025, antes do Natal. Mas que também avaliou as conversas com Paulinho da Força e Renata Abreu, presidentes do Solidariedade e do Podemos, respectivamente.
A articulação política elaborada por Kassab prevaleceu. O presidente do PSD tem agregado governadores “presidenciáveis” para fortalecer o partido. Em um jantar em sua residência em São Paulo, os políticos oficializaram a aliança e anunciaram a filiação de Caiado.
“Foi um acordo de cavalheiros. É para mostrar que esse não é um projeto de ordem pessoal. Se fosse, eu iria para um partido em que seria o único candidato. É um gesto de desprendimento”, disse Caiado.