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Tribunal de Damasco condena Bashar al Assad à morte

Bashar al Assad, presidente sírio deposto

Líder político que governou a Síria por mais de duas décadas responde por vários crimes, incluindo os cometidos contra a humanidade

Um tribunal criminal de Damasco condenou à revelia o ex-ditador sírio Bashar al Assad à pena de morte por crimes contra a humanidade. Nesse sentido, o juiz Fakhr al Din al Uryan leu a sentença nesta terça-feira (11), alcançando também outros oito réus. Entre os condenados, figuram o irmão do ex-ditador, Maher al Assad, e seu primo Atef Najib — o único réu presente no julgamento. De acordo com a decisão, o magistrado apontou Assad como o principal responsável pela tomada de decisões e por mobilizar as instituições estatais para cometer assassinatos premeditados, torturas e prisões arbitrárias.

O papel de Atef Najib e o estopim das revoltas em 2011

Paralelamente, a audiência julgou a atuação de Atef Najib, antigo chefe da Segurança Política em Daraa. Conforme demonstraram as investigações, o réu interrogou diversos detidos e ordenou a invasão violenta da mesquita Omari em 2011, local que abrigava os primeiros protestos antigovernamentais. Além disso, Najib ordenou a prisão e a tortura de crianças que picharam frases contra o governo na parede de uma escola, fato que desencadeou o levante popular e a posterior guerra civil na Síria.

Em razão desses atos, o juiz considerou as ações de Najib como crimes contra a humanidade e determinou a condenação à morte. Posteriormente, o acusado tentou se esconder em Idlib e permaneceu foragido por anos, sofrendo sanções dos Estados Unidos e da União Europeia. Contudo, as forças de segurança o capturaram em uma operação em Latakia no dia 31 de janeiro de 2025.

Julgamento histórico na justiça transicional síria

O tribunal aplicou a pena máxima a seis foragidos acusados por assassinato premeditado e tortura que resultou na morte das vítimas. Durante a sessão solene, autoridades e representantes de entidades internacionais acompanharam a leitura da sentença ao lado dos familiares afetados.

Por fim, o processo representou o primeiro julgamento público da justiça transicional no país contra um alto funcionário envolvido na repressão de 2011. Dessa maneira, o tribunal encerrou nove audiências iniciadas em 26 de abril em Damasco, responsabilizando o ex-líder que governou a Síria com mão de ferro por mais de vinte anos.

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