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União Europeia diz que Brasil poderia ter evitado veto à carne e à soja

Olof Gill afirmou que setor tem capacidade de se ajustar às restrições

Um porta-voz da União Europeia, Olof Gill, afirmou que o Brasil já tinha conhecimento das exigências do bloco. Por isso, poderia ter adotado medidas para evitar o veto de importação à soja e à carne ao continente. As declarações foram feitas ao jornal Folha de S. Paulo.

O veto passa a valer em 6 de setembro. Segundo a UE, o Brasil não apresentou garantias suficientes de que os produtos exportados atendem às exigências sanitárias europeias. Logo, entre elas, a comprovação de que não são utilizados medicamentos antimicrobianos de forma inadequada na criação de animais. Especialmente para estimular o crescimento e prevenir doenças.

Em meio a isso, Gill afirmou que o bloco já vem alertando sobre a segurança alimentar há cerca de 3 anos, porém o setor agropecuário brasileiro não se adequou.

O porta-voz afirma que não há obstáculos jurídicos ou legais capazes de comprometer o acordo entre a União Europeia e o Mercosul. Segundo ele, embora grupos contrários ao tratado tentem barrá-lo por razões políticas, a expectativa é de que a Corte Europeia valide sua aprovação.

Gill também destaca que o embargo anunciado não deve afetar o andamento das negociações. De acordo com ele, as exigências e padrões adotados pela União Europeia já são amplamente conhecidos pelos países envolvidos.

Além disso, Gill avalia que o Brasil reúne condições para se adequar às regras europeias. Para ele, a combinação de capacidade industrial, conhecimento técnico e força econômica permite ao país atender às exigências estabelecidas pelo bloco.

Proibição dos antimicrobianos no Brasil

A União Europeia considera que as medidas adotadas pelo Brasil ainda não são suficientes para atender integralmente às exigências do bloco. Apesar de o governo brasileiro ter proibido, em abril deste ano, parte dos antimicrobianos utilizados para estimular o crescimento e elevar a produtividade dos animais, os europeus afirmam que são necessárias garantias adicionais.

As restrições fazem parte da estratégia europeia de segurança alimentar e saúde pública chamada One Health, desenvolvida para reduzir o uso excessivo de antibióticos e conter o avanço da resistência antimicrobiana em escala global.

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