Inquérito sob sigilo na Justiça Federal do Paraná apura a atuação do ex-ministro e de Fábio Lino de Almeida em empresa de criptomoedas.
A PF investiga Paulo Guedes e dono da OnilX por crimes financeiros em um inquérito autuado na 9ª Vara Federal de Curitiba. A Polícia Federal (PF) apura a conduta do ex-ministro da Economia e do empresário Fábio Lino de Almeida, proprietário da OnilX, por suspeita de violação da Lei nº 7.492/1986. A apuração tramita sob sigilo desde fevereiro com acompanhamento do Ministério Público Federal (MPF).
A apuração sobre a empresa ganhou tração após investidores relatam calotes e atrasos em saques de aplicações em criptomoedas. A empresa prometia rendimentos mensais de até 2,8% aos clientes.
Atuação estratégica e captação de clientes
Paralelamente, registros e processos judiciais mostram que Paulo Guedes participou de reuniões estratégicas e de palestras com investidores da companhia. A OnilX veiculou a imagem do ex-ministro em materiais promocionais, apresentando o economista como conselheiro do negócio.
Nesse sentido, investidores citam a presença de Guedes em ações judiciais como fator decisivo para a realização dos aportes financeiros. Um casal cobra R$ 876,5 mil da empresa na Justiça após tentar resgatar os valores em agosto, sem sucesso.
Além disso, mensagens anexadas aos autos indicam que assessores da empresa utilizavam o nome do ex-ministro para atrair grandes investidores. A intermediação garantia reuniões privadas com Guedes para clientes com aplicações entre R$ 3 milhões e R$ 5 milhões.
Sanções da CVM e ações judiciais
Em contrapartida aos problemas operacionais, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) determinou a suspensão de ofertas públicas de serviços de intermediação pelo grupo. A autarquia manteve a proibição para contratos que ofereçam promessa de rendimentos pré-fixados.
Entre junho e setembro, os registros judiciais contabilizaram 108 processos movidos contra a empresa por clientes com dificuldades de resgate. As ações incluem denúncias sobre atrasos nos pagamentos e suspeitas de pirâmide financeira.
Por fim, os advogados Ticiano Figueiredo e Pedro Ivo Velloso assumiram a defesa dos citados. A Justiça Federal do Paraná determinou novas intimações e diligências no momento em que a PF investiga Paulo Guedes e dono da OnilX por crimes financeiros.
Íntegra da nota oficial da OnilX
“A OnilX esclarece, a respeito das notícias recentemente divulgadas, que o ex-ministro da Economia Paulo Guedes atuou apenas como consultor da empresa, prestando serviços exclusivamente relacionados a temas de macroeconomia, geopolítica e conjuntura econômica nacional e internacional.
Ressalte-se, inclusive, que Paulo Guedes prestou esclarecimentos a Polícia Federal na qualidade de testemunha, e não investigado, sobre os fatos.
Sua atuação teve natureza estritamente consultiva, circunscrita à sua reconhecida experiência profissional e acadêmica na área econômica.
A OnilX reafirma a legalidade de suas atividades e ressalta que tem colaborado, desde o início das investigações, se colocando, de forma proativa, à disposição das autoridades, bem como destaca que segue cumprindo com a execução do seu compromisso de pagamento de seus clientes.”
Fonte para a notícia:
Tárcio Lorran
Metrópoles