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Democratas vencem midterms e barram pauta de Trump nos EUA

Partido Democrata conquista a maioria na Câmara e no Senado nas eleições de meio de mandato, limitando a agenda econômica da Casa Branca e afetando o mercado financeiro global.

Democratas vencem midterms e barram pauta de Trump nos EUA na terça-feira (3) ao garantirem o controle das duas Casas do Congresso americano. O resultado da votação impõe uma derrota expressiva ao governo republicano de Donald Trump. O partido oposicionista conquistou 228 cadeiras na Câmara dos Representantes, superando o limite de 218 vagas necessárias. Paralelamente, os democratas asseguraram 54 das 100 cadeiras do Senado, confirmando o avanço projetado pelo mercado financeiro.

A derrota republicana ocorre em um período de forte desgaste na popularidade do presidente americano. Dessa forma, a gestão de Trump registra índice de desaprovação de 66%, segundo levantamento conduzido pela pesquisa Reuters/Ipsos. Analistas associam a insatisfação dos eleitores ao aumento contínuo no custo de vida nacional. A gasolina ultrapassou o patamar de US$ 4 por galão, enquanto o preço do diesel superou US$ 6 no mercado doméstico.

Bloqueio legislativo e alteração na pauta econômica

A vitória oposicionista limita a capacidade da Casa Branca para aprovar novas medidas fiscais e regulatórias. “Um enfraquecimento do Partido Republicano reduziria o poder do presidente para aprovar determinadas medidas e ampliaria a fiscalização sobre o governo”, afirma Andressa Durão, economista do ASA. Com a maioria estabelecida, os democratas assumem a liderança das comissões parlamentares e o controle direto da pauta legislativa pelos próximos dois anos.

Além do controle sobre projetos de arrecadação, o Senado amplia seu poder de veto sobre indicações do Executivo. A Casa aprova os nomes indicados pela Presidência para o Federal Reserve (Fed) e para a Suprema Corte. O economista-chefe da Suno Research, Gustavo Sung, alerta para o risco de instabilidade: “O mercado financeiro ainda não considerou plenamente a possibilidade de os democratas conquistarem o controle das duas Casas do Congresso. Se isso acontecer, o impasse entre o governo e o Legislativo e o avanço de pautas de confronto, como discussões sobre um possível impeachment, devem aumentar a volatilidade nos mercados globais”, afirmou.

Reflexos na economia brasileira, dólar e comércio

Nesse sentido, a nova composição do Congresso americano repercute sobre os rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA e o câmbio no Brasil. A contenção de novos cortes de impostos em Washington pode reduzir os juros de longo prazo americanos. Dessa forma, o fluxo de capitais para países emergentes tende a aumentar, aliviando a pressão sobre o dólar e as taxas futuras negociadas na B3.

Em contrapartida, analistas apontam incertezas na relação bilateral entre os governos de Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva. Marcos Praça, diretor de Análise da ZERO Markets Brasil, destaca que a oposição no Congresso pode dificultar a aprovação de novas sanções comerciais diretas contra o mercado brasileiro.

Apesar das restrições orçamentárias impostas pelo Legislativo, o presidente americano preserva o instrumento de veto e o uso de dispositivos legais para tarifar importações. Instrumentos como a Seção 232 e a Seção 301 da legislação comercial mantêm respaldo jurídico para a imposição de barreiras sobre produtos como o aço. Contudo, a nova conjuntura política ganha força no momento em que os democratas vencem midterms e barram pauta de Trump nos EUA.

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