Santiago Peña deixa o cargo no Palácio dos López após avanço do impeachment por conflito de interesses envolvendo o Ueno Bank e a liquidação da instituição.
Presidente do Paraguai renuncia em meio a crise bancária nesta quinta-feira (5) em comunicado oficial em suas redes sociais. O chefe de Estado Santiago Peña entregou o cargo diante da pressão pelo impeachment e do avanço das articulações políticas no Congresso. A decisão busca pacificar o cenário institucional e garantir a estabilidade do sistema financeiro nacional.
A crise envolve acusações de conflito de interesses na gestão de fundos previdenciários e na administração do Ueno Bank. O Banco Central do Paraguai determinou a dissolução da instituição nesta semana, suspendendo saques e operações. Segundo a agência Associated Press, o banco abrigava US$ 850 milhões em depósitos públicos. A previdência estatal detinha US$ 380 milhões desse montante.
Nesse sentido, a instabilidade resultou em manifestações populares em Assunção e na prisão de oito executivos e empresários ligados à instituição. Em declaração prévia ao jornal Última Hora, o ex-mandatário negou as irregularidades. “Estou muito tranquilo porque sei da minha inocência”, afirmou Peña antes da decisão formal.
Sucessão presidencial e desdobramentos
Ao anunciar a saída do governo, Santiago Peña declarou suas razões em mensagem aberta. “Tomei a decisão de apresentar minha renúncia à presidência da República (…) quero pedir desculpas ao povo se, em algum momento, falhei”, disse Peña. O ex-presidente ressaltou que sua prioridade é “a tranquilidade dos paraguaios que confiaram suas economias ao nosso sistema financeiro”.
Paralelamente, o vice-presidente Pedro Alliana enfrenta pedido de destituição apresentado por parlamentares oposicionistas por suposta proteção política ao banco. A Constituição paraguaia prevê a transmissão do cargo ao vice-presidente na vacância da chefia do Executivo. Uma ala partidária governista já declarou apoio à manutenção de Alliana no cargo para conduzir a transição.
Dessa forma, os desdobramentos políticos e jurídicos redefinem o governo em Assunção nos próximos dias. Os órgãos oficiais acompanham a liquidação do banco enquanto o presidente do Paraguai renuncia em meio a crise bancária.