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Quem é Felício Ramuth, vice de Tarcísio que deixou o PSD após pressão de Kassab

Foto: Gilberto Marques/Governo de SP

Engenheiro e político de perfil discreto, Felício Ramuth (MDB) é o vice-governador de São Paulo. Ademais, um dos principais nomes de confiança de Tarcísio de Freitas (Republicanos) dentro do Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista.

Ex-prefeito de São José dos Campos por dois mandatos, com alta aprovação, o governo estadual o incorporou ao seu núcleo como operador político e gestor. Logo, acabou escalado para atuar em frentes sensíveis, como o acompanhamento das ações na cracolândia, no centro da capital.

Na última segunda-feira (27), o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, afirmou em almoço do Lide, grupo de líderes empresariais, que foi o partido que convidou Felício Ramuth a deixar a legenda — não o contrário. “Como o Felício estava em voo solo, se posicionando sobre querer ser vice independentemente da questão partidária, eu o convidei a sair. Comuniquei o Tarcísio, e ele saiu. Simples assim”, disse Kassab.

O que se passou nos bastidores nos últimos meses corrobora a versão apresentada por Kassab. À saber: o governador Tarcísio de Freitas quer manter Ramuth como vice e o desgaste com Kassab foi consequência. A reportagem da Gazeta do Povo procurou Felício Ramuth e não obteve retorno até a publicação deste texto. O espaço segue aberto para a manifestação dele.

De São José dos Campos ao Palácio dos Bandeirantes

Agora filiado ao MDB, Felício Ramuth tem trajetória que explica por que Tarcísio o escolheu e por que ele resiste às pressões partidárias. Foi prefeito de São José dos Campos pelo PSDB por dois mandatos consecutivos e fez um sucessor — ou seja, tem características valorizadas pelo governador.

Na gestão Tarcísio, Ramuth repetiu o padrão: trabalhou sem aparecer, apoiou sem disputar protagonismo e manteve relação próxima com o governador paulista ao longo deste primeiro mandato. Pessoas próximas a Tarcísio descrevem Ramuth como alguém de fácil trato, discreto, trabalhador e parceiro — e afirmam que o governador gosta muito dele.

A lógica apresentada internamente é simples: a parceria funcionou, e o que funciona não se mexe. A analogia usada por aliados é direta — assim como Lula manteve a escolha com o vice Geraldo Alckmin (PSB), Tarcísio vê em Ramuth uma continuidade que não precisa ser explicada ao eleitor.

Kassab queria a vaga de vice, Tarcísio não cedeu

O desgaste entre Tarcísio e Kassab tem raízes mais profundas do que a disputa pela vice-governadoria em São Paulo. O presidente nacional do PSD chegou a dizer publicamente que o governador era “submisso a Bolsonaro” — declaração que esfriou a relação.

Nos bastidores, aliados do vice-governador afirmam que Kassab se incomodou com o posicionamento de Ramuth porque ele próprio pretendia ocupar a segunda cadeira mais importante do Palácio dos Bandeirantes para, posteriormente, concorrer a uma eleição para o cargo de governador de São Paulo. Quando ficou claro que Tarcísio manteria Ramuth para buscar a reeleição em outubro, o clima no PSD paulista se tornou insustentável.


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A filiação de Ramuth ao MDB foi articulada pelo próprio governador Tarcísio. O partido de Baleia Rossi, o mesmo do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB) — aliado de primeira ordem de Tarcísio —, foi o destino natural. Kassab confirmou na segunda-feira (27) que comunicou Tarcísio antes de convidar Ramuth a sair.

PL aceita uma das vagas na chapa ao Senado

Do outro lado da pressão, o PL de Valdemar Costa Neto também disputava a vaga de vice na chapa de Tarcísio com o nome do presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), André do Prado (PL) — o partido detém a maior bancada no Legislativo estadual. Em fevereiro, Costa Neto disse, em encontro com empresários, que era “a vez do PL” — lembrando que anuiu com a vaga ao PSD nas eleições de 2022.

Mas o xadrez se fechou de outro jeito. No início desta semana, o pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) sinalizou que André do Prado está encaminhado para disputar uma das duas vagas ao Senado pelo estado de São Paulo. “O André do Prado acabou de voltar dos Estados Unidos e teve uma boa reunião com o Eduardo”, disse Flávio, referindo-se ao irmão Eduardo Bolsonaro (PL).

Ex-deputado federal agora nos Estados Unidos, Eduardo deve influenciar a definição de quem disputará, ao lado de Guilherme Derrite (PP), a segunda vaga ao Senado pelo estado de São Paulo na chapa com Tarcísio e Flávio.

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