Para a Secretaria de Comunicação Social, o dia 15 de julho passará a ser um marco lastimável para a história das relações entre Brasil e Estados Unidos
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu ao novo tarifaço de 25% imposto pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Logo, confirmado pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) na noite desta quarta-feira (15).
Em nota oficial, o Palácio do Planalto repudiou a decisão, afirmou que recorrerá aos instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade. Além disso, anunciou que retomará o tema no mecanismo de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC). O governo também criticou a atuação da família Bolsonaro, acusando seus integrantes de colaborarem para a adoção das sanções.
Segundo o Planalto, a decisão americana representa um “marco lastimável” nas relações entre Brasil e Estados Unidos e não possui justificativa. Ressaltou ainda que, nos últimos 15 anos, os EUA acumularam um superávit de US$ 424,5 bilhões na balança de bens e serviços com o Brasil. Dessa forma, contestando a alegação de que haveria prejuízo comercial para os americanos.
A nota afirma que o Brasil não reconhece a legitimidade das investigações conduzidas com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. Esse que é, instrumento utilizado pelo governo americano para justificar a aplicação das tarifas. Apesar disso, o governo brasileiro destacou que nunca deixou a mesa de negociações e trabalhou de forma contínua junto ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) para tentar encerrar as investigações e defender os interesses nacionais.
Argumentos dos EUA e a Defesa das Políticas Nacionais
Entre as justificativas apresentadas pelos Estados Unidos para a adoção das medidas estão críticas ao Pix, à regulação das plataformas digitais, ao desmatamento, às barreiras ao etanol americano e até ao comércio da Rua 25 de Março, em São Paulo. Logo, o governo brasileiro rebateu todos os argumentos.
Na nota, o Planalto afirmou que as acusações relacionadas ao Pix e à regulação das plataformas digitais são descabidas e classificou como absurdas as alegações envolvendo o desmatamento. Assim, o governo também reforçou que o Pix é um patrimônio nacional e uma referência internacional em infraestrutura pública digital.
Em relação às plataformas digitais, o texto afirma que o Brasil não abrirá mão de proteger crianças e famílias contra a atuação das chamadas “tecno-oligarquias”. Segundo o governo, a liberdade de expressão não pode servir de justificativa para práticas criminosas. O Planalto também destacou que, desde 2023, o país intensificou o combate aos crimes ambientais e reduziu significativamente o desmatamento em todos os biomas.
Além das medidas jurídicas, o governo informou que continuará adotando ações para minimizar os impactos econômicos provocados pelo tarifaço, ampliando mercados para os produtos brasileiros e fortalecendo a diversificação das parcerias comerciais internacionais.
A nota também faz críticas diretas à família Bolsonaro. Segundo o governo, o resultado das investigações conduzidas pelos Estados Unidos integra um processo que contou com a “ativa colaboração” dos familiares do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Disputa Política e a Relação com a Família Bolsonaro
O Planalto faz referência à atuação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), adversário de Lula na disputa presidencial de 2026. Flávio chegou a encaminhar um documento ao USTR afirmando que a sobretaxa poderia favorecer politicamente o presidente Lula e sugerindo que qualquer negociação comercial fosse retomada apenas após as eleições presidenciais, quando, segundo ele, haveria um novo cenário político.
Para o governo, integrantes da família Bolsonaro atuaram contra os interesses nacionais ao defenderem medidas que prejudicam a economia brasileira. A nota classifica os aliados do ex-presidente como “falsos patriotas” e afirma que eles promoveram ações motivadas por interesses eleitorais.
O texto termina reafirmando o compromisso do governo com a defesa da soberania nacional: “Não se pode amar o Brasil apenas quando vencemos eleições. Proteger a nossa soberania é uma obrigação que está acima de todos os partidos e de todas as tendências. O governo brasileiro não vacilará em seu dever de preservá-la”, conclui a nota oficial.
Por Lislianne Amorim
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