A União Europeia deve suspender a compra de carne bovina brasileira por até dois anos devido a novas exigências sobre antimicrobianos. A medida entra em vigor em setembro e afeta também frango e mel. Embora grande parte da produção cumpra as regras, falta certificação oficial. Diante disso, o Brasil considera recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC).
A União Europeia não deve retomar as compras de carne bovina brasileira antes de dois anos. Nesse sentido, o g1 publicou essa informação nesta segunda-feira com base nas declarações do pecuarista André Bartocci.
O presidente da Câmara Setorial do Ministério da Agricultura confirmou a informação ao Canal Rural. Segundo ele, os representantes do próprio governo repassaram esses dados durante uma reunião recente.
Além disso, as autoridades associam esse prazo de dois anos diretamente ao ciclo produtivo dos bovinos. Por essa razão, o setor precisa desse período para adequar todo o rebanho às novas exigências.
A União Europeia avalia que os animais só cumprirão os requisitos após 24 meses de manejo controlado. Consequentemente, os pecuaristas precisam de tempo para completar o ciclo produtivo sob os novos protocolos.
Anteriormente, o protocolo de exportação para o bloco exigia a suspensão de antimicrobianos por cem dias. Agora, as autoridade europeias exigem a aplicação dessa mesma regra durante toda a vida do animal.
“A pecuária utiliza essa tecnologia relevante, mas a maior parte dos produtores brasileiros não a usa”, aponta Bartocci. Entretanto, o país ainda não consegue comprovar esse cenário por pura falta de certificação oficial.
Contudo, o pecuarista acredita em margem para negociação com os europeus sobre o prazo de adaptação. Para ilustrar, o Reino Unido declarou que continuará comprando a carne produzida no Brasil.
“A pressão de lobbies de produtores europeus e de políticos locais influencia fortemente essa suspensão”, afirma o presidente da Câmara. Afinal, a restrição prejudica o próprio consumidor europeu ao banir um produto de alta qualidade.
Veto entra em vigor em setembro
O impasse ocorre às vésperas da entrada em vigor da decisão que suspende as importações de produtos brasileiros. Dessa forma, a medida começa em 3 de setembro e atinge a carne bovina, o frango e o mel.
O bloco anunciou o veto em maio, quando retirou o Brasil da lista de países exportadores autorizados. Na ocasião, os europeus alegaram incompatibilidade nas regras sobre o uso de antimicrobianos na pecuária nacional.
Embora o bloco não tenha apontado irregularidades na qualidade, as autoridades cobram garantias adicionais do governo. Assim, os fiscais europeiam exigem controles mais rígidos e alinhados à legislação comunitária.
Brasil avalia recorrer à OMC
Diante disso, o governo brasileiro considera levar o caso formalmente à Organização Mundial do Comércio (OMC). Inclusive, o vice-presidente Geraldo Alckmin confirmou publicamente essa possibilidade de ação internacional.
O Itamaraty pretende acionar os mecanismos de solução de controvérsias da OMC se as negociações falharem. Da mesma forma, o governo acionará as cláusulas previstas no acordo entre Mercosul e União Europeia.
Fonte: Luís Roberto Toledo
Canal Rural