Negociação, que pressupõe vitória nas urnas, passa por neutralidade nas eleições, acordo em votações polêmicas, pacto sobre emendas e até indicação ao STF
O Palácio do Planalto tenta fechar um acordo estratégico com o presidente do Senado para apoiar sua reeleição ao comando da Casa. Dessa forma, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende respaldar a candidatura de Davi Alcolumbre mediante colaboração ativa com o governo.
Negociações com o Centrão e neutralidade eleitoral
O senador Ciro Nogueira conseguiu do presidente o compromisso de apoio à recondução de Hugo Motta à presidência da Câmara dos Deputados. Nesse sentido, o PP e o União Brasil decidiram manter neutralidade oficial na disputa presidencial após a garantia concedida pelo Planalto.
Além disso, o Partido dos Trabalhadores firmou um acordo informal com o presidente do PP durante as articulações políticas no estado do Piauí. Com efeito, o senador Ciro Nogueira cessará as oposições ao governo federal enquanto o PT apoiará sua campanha de reeleição local.
Encontro em Brasília e divergências entre Poderes
Lula e Alcolumbre discutiram os termos dessa nova aliança durante um jantar promovido na residência do ministro Alexandre de Moraes em Brasília. Porém, o presidente expressou forte insatisfação com a rejeição da indicação do advogado-geral da União para o Supremo Tribunal Federal recentemente.
O presidente do Senado justificou a postura apontando o desgaste gerado pelas cobranças constantes da militância petista nas redes sociais da internet. Além disso, o parlamentar comunicou o adiamento de votações importantes como o fim da escala semanal de trabalho para o pós-eleição.
Disputas internas no Congresso e o impasse das emendas
O ministro Guilherme Boulos criticou o adiamento das pautas sociais e acusou os parlamentares de apostarem no esquecimento do eleitorado brasileiro. Enquanto isso, senadores da oposição articulam candidaturas alternativas para disputar o comando da mesa diretora do Senado no próximo biênio.
O governo pretende encaminhar nova indicação para o STF após as eleições e planeja reestruturar a distribuição das emendas parlamentares no orçamento. Por fim, as lideranças do Congresso alertam que qualquer alteração nas verbas orçamentárias exigirá concordância prévia dos deputados e senadores.
Fonte: Vera Rosa – Estadão