Votação renova todas as 435 cadeiras da Câmara e um terço do Senado nesta terça-feira, em pleito com mais de 50 milhões de votos antecipados e favoritismo democrata.
Eleições de meio de mandato testam poder de Donald Trump nos Estados Unidos nesta terça-feira (3), em um pleito decisivo para os dois anos restantes de sua gestão na Casa Branca. Mais de 50 milhões de eleitores norte-americanos já registraram seus votos antecipadamente por correio ou em urnas presenciais antes do fechamento oficial da votação. A disputa renova todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes, 35 dos 100 assentos do Senado e os governos de 36 estados.
As eleições de meio de mandato ocorrem na metade exata do mandato presidencial. Os novos parlamentares e governadores eleitos assumirão seus cargos em janeiro de 2027. Historicamente, o pleito funciona como um referendo popular sobre a aprovação da gestão do chefe do Executivo.
Segundo a última pesquisa Reuters/Ipsos divulgada na segunda-feira (2), o índice de aprovação do presidente Donald Trump marcou 32%. Dessa forma, figurando próximo da mínima histórica de sua gestão. Parcela expressiva do eleitorado declara utilizar a votação nas urnas como forma de oposição política ao governo republicano.
Projeções eleitorais e disputa pelo controle do Congresso
De acordo com as projeções dos principais institutos de análise política, o Partido Democrata desponta como favorito para obter a maioria das cadeiras na Câmara dos Representantes. Atualmente, o Partido Republicano detém a maioria na Casa com 218 cadeiras. Ademais, contra 214 dos democratas, além de um deputado independente e duas vagas em aberto.
O estudo divulgado pelo Center for Politics da Universidade da Virgínia projeta a conquista de 223 cadeiras pelos democratas e 200 pelos republicanos. Dessa forma, deixando 12 disputas indefinidas. Paralelamente, a plataforma Race to the WH atribui 88,9% de chance de vitória aos democratas na Câmara. Assim, estimando a formação de uma bancada de 234 deputados.
Em contrapartida, a disputa pelo controle do Senado apresenta um cenário técnico mais acirrado. Os republicanos mantêm a maioria atual na Casa com 53 dos 100 assentos, ante 47 integrantes da bancada democrata e de seus aliados independentes.
Para obter o controle do Senado, os democratas necessitam alcançar pelo menos 51 cadeiras. Por outro lado, os republicanos precisam de 50 assentos para garantir a maioria, devido ao voto de desempate conferido ao vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance, na condição de presidente do Senado.
Pesquisas do agregador 270toWin apontam que a corrida eleitoral para o Senado permanece aberta em sete estados estratégicos: Maine, Iowa, Michigan, Alasca, Kansas, Ohio e Texas. A plataforma Race to the WH prevê uma margem de 52 a 53 cadeiras para a oposição democrata, com 72,9% de probabilidade de vitória na Casa.
Disputas estaduais, mapas eleitorais e financiamento recorde
Além do Poder Legislativo federal, o pleito define o comando dos Executivos estaduais em 36 unidades federativas. O resultado das urnas também escolherá os governadores dos territórios de Guam, Ilhas Virgens Americanas e Ilhas Marianas do Norte, além da prefeitura de Washington, D.C..
Agregadores de pesquisas indicam disputas acirradas ao governo em seis estados estratégicos: Alasca, Geórgia, Ohio, Oregon, Nevada e Wisconsin. Em contrapartida, a vitória democrata é projetada como garantida em estados populosos como Califórnia, Nova York e Pensilvânia, enquanto os republicanos mantêm favoritismo em redutos como Idaho, Wyoming e Arkansas.
Nesse sentido, a campanha eleitoral de 2026 bateu recordes orçamentários, tornando-se a mais cara da história dos Estados Unidos. Dados compilados pela emissora NPR junto à Comissão Eleitoral Federal indicam que as arrecadações totais ultrapassaram US$ 15 bilhões (cerca de R$ 75 bilhões).
Candidatos democratas lideraram a arrecadação direta em 27 das 35 disputas pelo Senado entre julho e setembro. No entanto, comitês de ação política e comitês externos alinhados ao Partido Republicano concentraram maior volume de recursos. Segundo a Associated Press, grupos de apoio ao governo Trump dispunham de aproximadamente US$ 1 bilhão (R$ 5 bilhões), contra US$ 579 milhões (R$ 2,9 bilhões) das organizações democratas.
Entre os principais doadores privados, o empresário Elon Musk destinou US$ 158 milhões (R$ 793 milhões) ao Senate Leadership Fund para apoiar candidatos republicanos ao Senado, atuando com destaque na disputa no Texas. O presidente Donald Trump anunciou a aplicação de mais de US$ 400 milhões (R$ 2 bilhões) de seus fundos em favor de aliados. Em contrapartida, o empresário Michael Bloomberg investiu US$ 80 milhões (R$ 400 milhões) no suporte aos candidatos democratas.
Votação por correspondência e contagem dos votos
A condução das eleições envolveu debates judiciais sobre o voto pelo correio e o redesenho de distritos eleitorais nos estados. Em março, o governo federal emitiu um decreto visando restringir a entrega de cédulas por correspondência a eleitores cadastrados em uma lista federal. Contudo, a Suprema Corte norte-americana manteve a suspensão da medida em setembro, permitindo a manutenção das regras estaduais vigentes.
Paralelamente, assembleias legislativas estaduais promoveram a alteração de mapas de distritos eleitorais antes do pleito. O estado do Texas aprovou novo contorno distrital para favorecer a bancada republicana em agosto de 2025. Em reação, a Califórnia reformulou seus distritos três meses depois para ampliar as chances de vitória dos democratas.
A apuração dos votos nos Estados Unidos é descentralizada e executada pelas autoridades de cada estado. Os primeiros resultados parciais serão divulgados a partir da noite desta terça-feira (3), após o fechamento das urnas, que varia entre 19h e 21h conforme o fuso horário local.
A definição final da maioria na Câmara e no Senado pode levar dias devido ao tempo exigido para a contagem e verificação das cédulas enviadas pelo correio. As autoridades eleitorais estaduais acompanham a apuração oficial no momento em que as eleições de meio de mandato testam poder de Donald Trump nos Estados Unidos.
Fonte:
Wesley Bischoff
G1 – Globo
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