Abert, ANJ e Aner criticam decisão do ministro do STF contra Raimundo Cutrim, apontado como fonte de jornalista que publicou reportagem sobre família Dino
Nesta quarta-feira (12), entidades jornalísticas manifestaram preocupação com a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O magistrado autorizou a Polícia Federal (PF) a realizar uma operação de busca e apreensão contra duas pessoas apontadas como fontes de um jornalista do Maranhão. O profissional havia publicado reportagens sobre o uso de veículos oficiais pela família do ministro Flávio Dino, que também integra a Corte.
Em nota conjunta, a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), a Associação Nacional de Jornais (ANJ) e a Associação Nacional de Editores de Revistas (Aner) afirmaram que a decisão cria um precedente perigoso. Além disso, as entidades sustentam que a medida não possui amparo legal, pois a Constituição Federal garante expressamente o sigilo da fonte para o exercício profissional.
Os Alvos da Operação e as Determinações Judiciais
De acordo com o despacho de Moraes, a operação mira Raimundo Soares Cutrim, ex-secretário de Estado do Maranhão, e Diogo Diniz Lima, ex-secretário municipal de São Luís. A Polícia Federal investiga a dupla por fornecer informações ao jornalista Luís Pablo Conceição Almeida, autor das reportagens sobre Flávio Dino no ano passado.
Para dar suporte às investigações, Moraes autorizou a PF a apreender armas, celulares, tablets e outros dispositivos eletrônicos. Da mesma forma, o ministro permitiu que os agentes acessem o conteúdo desses aparelhos e os dados armazenados em serviços de nuvem.
Histórico da Investigação e Suspeitas Financeiras
Vale destacar que o próprio jornalista Luís Pablo já havia enfrentado uma busca e apreensão em março, por determinação do mesmo ministro, sob a acusação de perseguição devido às matérias publicadas.
Nesse contexto, a PF também suspeita da participação de Diogo Diniz Lima na articulação. A investigação aponta que ele teria transferido R$ 100 mil para o jornalista, embora tenha depositado o valor na conta de um terceiro. Por isso, os agentes apuram se essa movimentação financeira possui ligação direta com a atividade jornalística em questão.
Por fim, a Polícia Federal alega que os investigados obtiveram informações restritas sobre os veículos da segurança de Flávio Dino. Posteriormente, eles repassaram esse material ao repórter para embasar as publicações contra o integrante do STF.
Fonte: Murillo Otavio
SBT News