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Estudo revela que pesca do atum ocorre há 44 mil anos

Pesquisa internacional com 18 cientistas mapeia a história profunda da relação humana com o peixe. Os dados mostram a transição de capturas artesanais para a indústria global de US$ 40 bilhões.

A pesca do atum ocorre há 44 mil anos, revela um estudo internacional conduzido por biólogos e arqueólogos em conjunto com 18 pesquisadores de diversos países. A investigação utilizou evidências de restos esqueléticos, arte rupestre, pinturas em vasos e registros etnográficos para reconstituir a relação humana com o animal. Os dados indicam que os primeiros vestígios de captura surgiram em Timor-Leste, no Sudeste Asiático, onde canais profundos facilitavam a aproximação dos peixes da costa. Paralelamente, o levantamento contrapõe o volume das capturas ancestrais à atual exploração industrial, que movimenta cerca de US$ 40 bilhões (R$ 200 bilhões) anualmente no mercado global.

Além disso, a análise científica demonstra que a pesca artesanal se desenvolveu em diferentes regiões ao longo dos milênios. No Japão e na Coreia, populações locais capturavam o peixe há pelo menos 7.000 anos, estabelecendo tradições culinárias duradouras. No Mar Mediterrâneo, milhares de ossos depositados em cavernas na Grécia comprovam a atividade entre 9.000 e 11 mil anos atrás. Nesse sentido, os antigos gregos utilizavam o atum em rituais e oferendas dedicadas a Poseidon, consolidando a importância cultural da espécie. Há 3.000 anos, a região já abrigava uma rede comercial estruturada para o atum-azul-do-Atlântico com o uso de redes e armadilhas especializadas.

Métodos ancestrais e a expansão da indústria pesqueira

Na América do Norte, comunidades indígenas mantiveram técnicas complexas de captura ao longo de milênios. No território Nuu-chah-nulth, na costa noroeste, pescadores navegavam à noite pelos fiordes durante o fim do verão. A iluminação natural do plâncton e fogueiras nas canoas atraíam exemplares de atum-azul-do-Pacífico com mais de dois metros de comprimento e 290 quilos. Os praticantes arpoavam os peixes após sinais transmitidos por observadores na terra firme. Da mesma forma, na Ilha de Santa Catalina, no sul da Califórnia, grupos indígenas pescaram quatro espécies distintas do peixe durante 6.000 anos.

Em contrapartida, a exploração comercial moderna ganhou escala industrial apenas entre os séculos 19 e 20 no sul da Califórnia. O aumento da procura ocorreu durante a Primeira e a Segunda Guerra Mundial, impulsionado por fábricas de conservas em Los Angeles e San Diego. Comunidades de imigrantes japoneses e portugueses trouxeram conhecimentos técnicos que aceleraram a expansão do setor. Consequentemente, o atum enlatado transformou-se em uma mercadoria global, atingindo valores milionários em leilões contemporâneos de exemplares de atum-azul.

Impacto ambiental e a preservação dos estoques marinhos

Biologicamente, o termo atum abrange 15 espécies de peixes, incluindo oito espécies do gênero Thunnus e o atum-bonito (Katsuwonus pelamis). Esses predadores de topo atingem mais de três metros de comprimento, vivem quatro décadas e realizam migrações de 8.000 quilômetros pelo Oceano Pacífico. Do ponto de vista ecológico, os animais atuam como indicadores da saúde dos ecossistemas marinhos. No entanto, a maioria das avaliações científicas foca apenas nos últimos 75 anos, tomando o ano de 1950 como base de comparação.

Nesse contexto, os pesquisadores ressaltam que o volume retirado pelas pescarias antigas era insignificante em comparação com a exploração atual. As maiores operações do Mediterrâneo extraíam milhares de toneladas ao longo de séculos, enquanto a indústria moderna retira milhões de toneladas anualmente. Essa intensidade coloca espécies como o atum-azul-do-sul, o atum-azul-do-Pacífico e o atum-patudo sob risco de extinção ou em estado de vulnerabilidade.

Por outro lado, o estudo enfatiza que políticas de governança, monitoramento rígido e cotas de captura conseguiram estabilizar as populações em determinadas zonas oceânicas. Os cientistas concluem que a gestão baseada em evidências e a cooperação internacional são indispensáveis para garantir a sustentabilidade dos estoques marinhos. Dessa forma, a pesquisa histórica confirma que a pesca do atum ocorre há 44 mil anos e exige novos modelos de preservação para evitar o esgotamento dos oceanos.

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