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Ex-banqueiro cita Gilberto Kassab em proposta de delação

Daniel Vorcaro afirmou à Polícia Federal que o presidente do PSD recebeu comissões por aportes de fundos previdenciários no Banco Master, acusação rejeitada pelo político.

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro apontou o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, como recebedor de comissões em dinheiro vivo por investimentos previdenciários de governos aliados no Banco Master. A declaração integra um relato prestado à Polícia Federal (PF) e à Procuradoria-Geral da República (PGR) em uma tentativa frustrada de delação premiada. Segundo o ex-banqueiro, o ex-banqueiro cita Gilberto Kassab em proposta de delação para detalhar como o político se comprometeu a incentivar administrações do PSD ou aliadas a aplicar recursos do funcionalismo em papéis de risco.

Por meio de nota oficial, Kassab negou veementemente todas as acusações apresentadas no depoimento. “Trata-se de um relato absolutamente fantasioso, o qual refuto com veemência. Nunca fiz qualquer gestão em favor de fundo de previdência para o Master ou qualquer outra instituição financeira”, declarou o político. Além disso, a PF e a PGR rejeitaram três propostas de colaboração de Vorcaro por considerar que ele omitiu fatos já apurados. Ele segue preso preventivamente no Complexo da Papuda, em Brasília, desde 4 de março de 2026.

Dificuldades de captação e intermediação de recursos

Conforme os relatos apresentados às autoridades, o Banco Master passou a focar em fundos municipais e estaduais a partir de 2023. Naquele momento, a instituição enfrentava barreiras para rolar Certificados de Depósito Bancário (CDBs) que venciam no mercado. O banco direcionava a maior parte das captações para ativos de baixa liquidez, como precatórios e direitos creditórios.

Nesse cenário, a instituição intensificou a oferta de letras financeiras, títulos de renda fixa que não possuem garantia do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Em caso de liquidação judicial da instituição financeira, os investidores perdem a preferência de recebimento e correm o risco de perder a totalidade do capital aplicado.

Para alcançar os administradores públicos, Vorcaro recorria ao seu ex-sócio Augusto Lima, identificado pela investigação como interlocutor direto junto a Kassab. Em troca das captações, o banco repassava percentuais em espécie para intermediários, consultores e agentes públicos envolvidos na operação financeira.

Aportes estaduais e municipais somam R$ 1,88 bilhão

Dados do governo federal apontam que 21 regimes próprios de previdência estaduais e municipais destinaram R$ 1,88 bilhão para letras financeiras do Banco Master entre 2023 e 2024. O fundo de previdência dos servidores do estado do Rio de Janeiro lidera o volume de investimentos, com o montante de R$ 970 milhões.

Na sequência, aparecem os governos do Amapá, com R$ 400 milhões, além de prefeituras como Maceió (R$ 97 milhões), São Roque (R$ 93,1 milhões) e Cajamar (R$ 87 milhões). Diante dessas movimentações, a Polícia Federal já deflagrou ao menos oito operações policiais para investigar a legalidade das alocações dos recursos previdenciários públicos.

As ações ostensivas alcançaram investimentos no Rio de Janeiro, na Operação Compliance Zero, além de investigações específicas em Macapá, Maceió e Cajamar. Paralelamente, investigadores resgataram mensagens do celular de Vorcaro gravadas em outubro de 2024. Nos textos, o empresário pedia para Lima acionar Kassab a fim de conter críticas de parlamentares fluminenses contra os aportes do RioPrevidência.

Rejeição das acusações e desdobramentos políticos

Além das acusações sobre fundos de previdência, esta é a segunda vez que o nome do dirigente partidário surge em delações do ex-empresário. Reportagens anteriores indicaram que Vorcaro tentou atribuir ao político a intermediação de doações eleitorais não contabilizadas para manter contratos de cartão consignado em São Paulo.

Tanto a gestão estadual paulista quanto o presidente do PSD rechaçaram integralmente os relatos e negaram qualquer irregularidade ou repasse financeiro. O político reiterou que nunca conversou pessoalmente ou por telefone com Daniel Vorcaro e que não autorizou representantes a falarem em seu nome.

Enquanto os desdobramentos da Operação Compliance Zero prosseguem na Justiça Federal, os órgãos de fiscalização mantêm a auditoria sobre as letras financeiras emitidas. Diante das apurações, a confirmação de que o ex-banqueiro cita Gilberto Kassab em proposta de delação reforça o cerco policial sobre as operações financeiras do Banco Master com entes públicos.

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