A oposição no Senado intensificou os confrontos contra Davi Alcolumbre diante da crise no Supremo Tribunal Federal. O embate envolve acusações mútuas, novos pedidos de impeachment e disputas de poder para a próxima legislatura.
A oposição no Senado Federal iniciou um embate direto com o presidente da Casa, Davi Alcolumbre, subindo o tom em meio à crise no Supremo Tribunal Federal sobre o envolvimento de ministros no caso Master. Consequentemente, as atenções no Congresso Nacional se voltaram para o conflito, ofuscando discussões de pautas relevantes que estavam em votação. Nesse contexto, o relator, ministro André Mendonça, retirou o sigilo da ação que revelou diálogos entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro. Antes de ser preso, o empresário questionou: “Acha que 2ª tenho que estar fora?”.
Em resposta às agressões que vinha sofrendo, Alcolumbre fez uma rara manifestação no plenário e rebateu os ataques direcionados a ele. Na ocasião, ele relembrou o caso em que aliados pediram recursos a Vorcaro para financiar o filme Dark Horse. Ele declarou expressamente: “Vou voltar para a pauta aqui, porque, senão, vou ter que responder muitas agressões que, como presidente do Senado, estou recebendo nos últimos dias. Eu acho… Apenas um comentário, no momento adequado, vou falar. Todo mundo esqueceu que pediram R$ 130 milhões para as mesmas pessoas para fazer um filme e, agora, o culpado só é o ministro Alexandre de Moraes. Mas vou fazer um relato de tudo o que quero falar”.
Troca de acusações e articulações para as eleições de 2026
Posteriormente, o cenário político piorou quando Alexandre de Moraes pediu ao presidente do STF, Edson Fachin, a investigação de André Mendonça. Diante desse fato, Flávio Bolsonaro devolveu o ataque e criticou a postura do comando da Casa. O parlamentar afirmou: “Vejo que o Davi Alcolumbre está muito preocupado, assim como Alexandre de Moraes, com a sua autoproteção. Eu lamento que ele tenha feito uma reunião longa com Moraes na terça. Eu acho que ele se equivocou ao querer proteger um amigo, ao invés de proteger a instituição, está perdendo uma grande oportunidade de resgatar a credibilidade do Senado”. Ademais, durante manifestação no feriado de 7 de Setembro, o senador declarou que uma “laranja podre não pode contaminar uma Corte inteira”.
Por outro lado, a legislação vigente e a Lei nº 1.079/50 estabelecem regras rígidas para a análise de denúncias por crime de responsabilidade contra magistrados do STF. O rito exige parecer da advocacia da Casa, leitura em plenário, formação de comissão especial e votação em plenário. No entanto, parlamentares argumentam que o impeachment não avançará sob a atual gestão do Senado.
Paralelamente, o ambiente das eleições de 2026 e a reaproximação de Alcolumbre com o governo federal afastam a possibilidade de apoio do PL à sua recondução em 2027. Por fim, o Partido Liberal foca em ampliar sua bancada de senadores no pleito de outubro. Dessa forma, visa garantir maior peso decisório e disputar o controle da presidência da Casa nos próximos anos.
Fonte: Luciana Saraiva
Metrópoles