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Temer afirma que polarização atingiu STF e que Gilmar não deveria ter respondido a Zema

Foto: Cesar Itiberê/PR

Para ex-presidente, radicalização é sinônimo de falta de diálogo entre Poderes, e quanto mais ministro responde, mais contestação haverá

O ex-presidente Michel Temer (MDB) afirmou nesta segunda-feira (27) que a polarização política atingiu o STF (SupremoTribunal Federal) e que o ministro Gilmar Mendes não deveria
ter respondido às críticas do ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo).

Em entrevista a jornalistas antes do Fórum Paulista de Desenvolvimento, em Itu (102 km de São Paulo), Temer disse que a crise de imagem da corte passa decorre da perda de diálogo no país.

“Não só o diálogo interno nos Poderes, mas até o diálogo entre Poderes. E a falta de diálogo entre Poderes gerou o que as pessoas chamam de polarização, que eu chamo de radicalização”, disse.

Questionado se o STF tomou lado na polarização, hoje representada em nível nacional pelo embate político entre o presidente Lula (PT) e o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Temer afirmou que, quando há uma radicalização no país,“ela acaba atingindo todos os setores, vai se introduzindo em todos os setores”.

O ex-mandatário disse que “o Supremo não tem tanta culpa assim” sobre eventuais acusações de ativismo judicial, vindas principalmente do campo da direita. “Se alguma responsabilidade houve, mas não houve, foi porque a [Assembleia] Constituinte [de1988] tratou de todos os temas, e todos os temas, em razão disso, são levados ao Supremo Tribunal Federal”, afirmou.

Para Temer, Gilmar não deveria ter respondido a Zema

O ex-presidente acrescentou, no entanto, que Gilmar não deveria ter se manifestado aos ataques recentes feitos por Zema.

“Eu acho que o ministro Gilmar não deveria ter respondido, porque quanto mais ele responde, evidentemente mais argumentos ele dá para a contestação.”

Gilmar e Zema têm protagonizado um embate público após o ex-governador de Minas Gerais publicar vídeos acusando o ministro de participar de conchavos com Lula e o Congresso Nacional. Ademais, no contexto das investigações do Banco Master. Gilmar chegou a acionar a PGR (Procuradoria-Geral da República) para que Zema seja incluído no inquérito das fake news.

O ex-governador publicou, neste sábado (25), novo vídeo com críticas aos ministros, a quem chama de “intocáveis”. As imagens satirizam Gilmar e Alexandre de Moraes com bonecos criados por inteligência artificial.

Gilmar chegou a comparar as críticas feitas à corte por Zema a retratar o ex-governador de Minas Gerais como homossexual. Logo, depois afirmou ter errado e pediu desculpas.

Por Juliana Arregury
Folha de São Paulo

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