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Vorcaro: pagamento à esposa de Moraes é o “mais importante”

Relatório da PF mostra alterações atribuídas a usuário “Ministro Alexandre de Moraes” e ordens para antecipar repasses no escritório de Viviane Barci de Moraes

A Polícia Federal (PF) periciou o celular apreendido do banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, e revelou detalhes sobre a contratação do escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados, pertencente a Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.

Nesse contexto, os relatórios da Operação Compliance Zero reuniram as mensagens e os documentos sobre o caso. Em seguida, o ministro André Mendonça, relator do processo no STF, derrubou o sigilo de todo o material investigativo.

Consequentemente, o documento da PF aponta que Vorcaro tratava os pagamentos destinados ao escritório com prioridade absoluta. Além disso, o empresário determinou a realização dos repasses de forma antecipada, quitando os valores mesmo antes da emissão formal das notas fiscais.

“O pagamento mais importante que temos”

Em 15 de março de 2024, após receber um alerta sobre prazos, Daniel Vorcaro deu instruções diretas à funcionária financeira Romy. Na ocasião, o empresário exigiu prioridade máxima para os repasses ao escritório Barci de Moraes e ordenou pontualidade absoluta na quitação.

Nesse sentido, Vorcaro reforçou a relevância da operação ao classificar o repasse como o pagamento mais importante da empresa. Além disso, o banqueiro autorizou a transferência dos valores de forma irrestrita, dispensando inclusive a apresentação prévia de nota fiscal. Logo em seguida, a funcionária enviou ao empresário o comprovante de uma transferência do Banco Master para o escritório no valor de R$ 3.422.268,14.

Paralelamente a essas orientações financeiras, o relatório da Polícia Federal (PF) apresentou uma análise técnica dos arquivos digitais. Eles continham as minutas contratuais trocadas entre as partes em janeiro de 2024.

Consequentemente, os peritos identificaram que a versão inicial do documento, enviada por Viviane Barci de Moraes em 11 de janeiro, registrava nos metadados uma alteração feita pelo usuário “Ministro Alexandre de Moraes” minutos antes do envio ao banqueiro. Da mesma forma, a perícia constatou esse mesmo padrão no arquivo final do contrato, assinado digitalmente após modificações registradas pelo mesmo perfil de usuário.

Metadados do Contrato e o Fluxo Financeiro do Banco Master

As partes assinaram o contrato digitalmente em 23 de janeiro de 2024. O acordo estabelecia honorários líquidos de R$ 3 milhões mensais a título de pró-labore, com prazo de vigência de 36 parcelas — equivalentes a três anos —, totalizando R$ 108 milhões líquidos. Com a incidência de 17,73% em tributos como IRPJ, PIS, Cofins e CSLL, o valor bruto mensal somava R$ 3.646.529,77, com vencimento previsto até o quinto dia útil de cada mês.

O fluxo financeiro teve início no mês seguinte à assinatura do contrato. Por essa razão, em 8 de fevereiro de 2024, Daniel Vorcaro cobrou do cunhado, Fabiano Zettel, o pagamento da primeira parcela. Em seguida, o executivo Angelo Silva confirmou a liquidação de uma ordem bancária no valor de R$ 3.422.268,14, segundo os registros analisados pela Polícia Federal (PF).

Posteriormente, os relatórios periciados pela PF registraram novos repasses milionários. Em 14 de julho de 2025, por exemplo, a equipe de auditoria identificou outra ordem de pagamento no mesmo valor de R$ 3,42 milhões na relação de contas do banco.

Mais tarde, em 1º de outubro de 2025, o colaborador Alberto Felix informou a quitação de uma nova parcela ao banqueiro. Nesse momento, Vorcaro questionou imediatamente o meio utilizado para a operação financeira e demonstrou preocupação ao saber da transferência, afirmando que a modalidade escolhida não seria adequada.

Contudo, o funcionário esclareceu que a equipe havia realizado a transação via TED diretamente para a conta jurídica do escritório. Até o momento, o ministro Alexandre de Moraes não emitiu pronunciamento sobre as informações divulgadas.

O que diz Viviane Barci

Em nota oficial, o escritório de Viviane defendeu a legalidade da parceria ao explicar que assinou o contrato somente após comprovar a ausência de qualquer impedimento legal decorrente do casamento dela com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).

Nesse contexto, a banca destacou que a abrangência da solicitação de serviços feita pelo Banco Master levou o setor de compliance a agir com cautela. Por essa razão, a equipe de conformidade consultou o ministro Alexandre de Moraes para verificar eventuais entraves jurídicos, tais como processos sob sua relatoria no STF ou participação em julgamentos do interesse do cliente.

Consequentemente, após confirmar que Moraes jamais julgou causas envolvendo a instituição financeira e que o contrato não previa atuação na Suprema Corte, o escritório firmou o acordo e prestou os serviços advocatícios regularmente.

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