Por: Andressa Aricieri – andressa@benditaimagem.com.br
Enquanto muitos brasileiros reservam parte do orçamento no início do ano para pagar IPVA, seguro e revisão do carro, um comportamento financeiro curioso segue sem tanto destaque: a manutenção da própria casa, que costuma ser o maior patrimônio da família, ainda é tratada de forma reativa — e isso pode custar caro no bolso.
De acordo com uma pesquisa da Serasa em parceria com o Instituto Opinion Box, 62% dos brasileiros afirmam que despesas relacionadas à moradia comprometem sua qualidade de vida. Ademais, 53% dizem não se planejar com antecedência para custos domésticos. Além disso, 29% recorrem ao cartão de crédito e 44% já precisaram contratar empréstimo para cobrir gastos inesperados. Portanto, valores ligados à casa — justamente o tipo de situação que muitas vezes surge de problemas que poderiam ser evitados com manutenção preventiva.
Leia também:
China retira subsídio e energia solar terá aumento
“O brasileiro já incorporou que o carro precisa de revisão e acompanhamento constante. Com a casa, a lógica ainda é esperar quebrar para depois resolver”, afirma Felipe Rossi, CEO da Houser, proptech que automatiza reparos residenciais.
Custos que começam pequenos e viram emergências
Segundo Rossi, a falta de cuidados preventivos com a casa tende a pressionar o orçamento familiar de forma silenciosa. Vazamentos discretamente ignorados, infiltrações iniciais, falhas elétricas ou pequenos desgastes estruturais podem evoluir para reparos caros e urgentes.
“Quando o conserto é feito só depois que o problema se agrava, o custo quase sempre é maior. Um vazamento aparentemente simples pode evoluir para dano estrutural, mofo ou risco elétrico. Isso desorganiza a vida financeira e, muitas vezes, leva famílias a usarem reservas de emergência ou recorrerem a crédito”, diz o fundador.
Patrimônio valioso, gestão insuficiente
O contraste entre o cuidado com o carro — um bem que se desvaloriza com o tempo — e a manutenção da casa — um ativo valioso a longo prazo — chama atenção. Na prática, muitos brasileiros assumem custos obrigatórios e planejados com o automóvel, mas encaram a manutenção da casa como algo imprevisível ou secundário.
“Existe uma contradição: investir sistematicamente na manutenção de um bem que perde valor, como o carro, enquanto se negligencia a preservação de um imóvel, que tende a ser o maior investimento de uma vida”, relata Rossi. Ele alerta também para o impacto no mercado de locação, onde problemas estruturais não resolvidos geram conflitos entre locatários e proprietários.
Mudança de perspectiva pode aliviar o orçamento
No cenário atual de custo de vida elevado, incorporar a manutenção da casa ao planejamento financeiro — de forma semelhante ao carro — pode reduzir imprevistos e preservar o patrimônio ao longo do tempo.
“A casa também precisa de revisão. Não é apenas questão de conforto, é gestão financeira e proteção do patrimônio”, conclui Rossi.