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Hospital de Amor inaugura primeiro “Centro de Tratamento de Melanoma Uveal” do SUS, com braquiterapia ocular de alta tecnologia e análise molecular

Foto: Divulgação HA

Iniciativa inédita une braquiterapia, análise molecular e inteligência artificial para salvar vidas e evitar a remoção do globo ocular em pacientes com a doença.

O Hospital de Amor, referência internacional em oncologia, deu mais um importante passo no tratamento de câncer ocular com a inauguração do primeiro “Centro de Tratamento de Melanoma Uveal” do SUS, em Barretos (SP), passando a realizar o procedimento de braquiterapia ocular em larga escala. Com isso, devido à alta tecnologia, a instituição poderá tratar tumores de maior tamanho e com menos efeitos colaterais.

Hoje, no Brasil, especialmente no SUS, ainda há pouca disponibilidade de centros que ofereçam tratamento para esse tipo de câncer e nenhum em grande escala. Por isso, os pacientes raramente têm acesso a tratamentos que preservem o olho e a testes moleculares que ajudam a prever o risco de metástases e guiar o acompanhamento da doença. Com a criação de um Centro Nacional no Hospital de Amor, será possível oferecer diagnóstico e tratamento de forma mais rápida. Também organizada e moderna, melhorando o cuidado e aumentando a chances de cura, preservando o olho e a visão, quando possível.

Primeira cirurgia já foi realizada

Como marco do início do oferecimento desse novo tratamento, a instituição realizou a primeira cirurgia de braquiterapia ocular. Utilizando técnicas avançadas que permitem erradicar a doença e preservar o globo ocular. Assim, ao contrário da radioterapia convencional, que emite radiação de uma fonte externa, a braquiterapia ocular utiliza uma placa radioativa que o cirurgião posiciona no globo ocular. Essa técnica direciona a radiação precisamente ao tumor, o que preserva os tecidos saudáveis e minimiza os danos à visão do paciente.


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“Outros serviços já ofereceram a braquiterapia ocular no Sistema Único de Saúde (SUS), mas não com essa tecnologia de ponta,. Nem com essa possibilidade de oferecimento em grande escala. Para o SUS, a principal importância é o acesso: serviços que oferecem braquiterapia são poucos e insuficientes. Geralmente só conseguindo tratar tumores pequenos devido à tecnologia disponível. Na rede privada o tratamento é muito caro. Fora da realidade da maioria dos pacientes”, destaca o médico oftalmologista do HA, em Barretos (SP), Dr. Roque Lima de Souza.

Melanoma uveal no Brasil

O melanoma uveal é um tipo de câncer que afeta os olhos e é o mais comum entre os adultos. Embora seja raro (cerca de 5 a 7 casos por milhão de habitantes), é grave, especialmente quando diagnosticado em fases avançadas.

Até 50% dos pacientes com melanoma uveal desenvolvem metástases, ou seja, o câncer se espalha para outras partes do corpo, principalmente para o fígado, em até cinco anos, devido à dificuldade do diagnóstico precoce. Nessa fase, a doença se torna extremamente letal. A análise molecular do tumor permite prever quais pacientes têm maior risco de desenvolver metástases, permitindo um acompanhamento mais próximo e individualizado.

No Brasil, especialmente no SUS, os pacientes não costumam ter acesso a esses recursos necessários para avaliar adequadamente o prognóstico da doença, dificultando o seguimento e tratamento adequados. Devido a essa carência, pesquisadores e médicos do Hospital de Amor criaram este projeto, com o objetivo de detectar e tratar com maior eficiência o melanoma uveal.

“Centro de Tratamento de Melanoma Uveal”

O “Centro de Tratamento de Melanoma Uveal” foi criado através de um projeto de pesquisa do Programa Nacional de Genômica e Saúde Pública de Precisão – Genomas Brasil, financiado pelo Ministério da Saúde e executado pelo DECIT/SECTICS/MS, que tem como objetivo, além de tratar o câncer, realizar análise molecular e classificação prognóstica avançada utilizando inteligência artificial.

Assim, devido à complexidade do tratamento, a braquiterapia ocular é oferecida em poucos hospitais, (particulares e do SUS). Ocasiona, frequentemente, que o paciente seja submetido a enucleação (remoção total do olho), mesmo quando o tumor poderia ser tratado de forma menos invasiva.

“Esse projeto é importante porque o melanoma uveal é um câncer raro, mas muito agressivo, que atinge o olho e pode se espalhar para outros órgãos (principalmente o fígado). Em muitos casos, quando a doença avança, as chances de cura diminuem. Estamos trazendo o que existe de mais moderno no mundo para o paciente do SUS, garantindo que a perda de um olho não seja a única opção por falta de acesso”, destaca a pesquisadora do HA e uma das autoras do projeto, Dra. Lidia Maria Rebolho Batista Arantes.

Dessa forma, a primeira cirurgia de braquiterapia ocular do HA foi realizada em Renildo Santos da Conceição, capixaba, 54 anos, operador de máquinas, que acreditava que a o seu único tratamento seria a remoção do olho. “Vivi um momento histórico, fui o primeiro paciente a passar por este novo tratamento aqui no hospital. “Meu tumor já está bem avançado. Mesmo que eu não consiga preservar a visão, o importante é que eu alcance a cura. Os médicos me deram uma expectativa de mais de 90% de cura”, destaca Renildo

“Centro de Tratamento” espera transformar realidades

O HA espera transformar essa realidade do acesso ao tratamento de melanoma uveal através de quatro pilares:
• Braquiterapia de alta tecnologia: radiação aplicada seletivamente no tumor, preservando tecidos saudáveis.
• Análise genética e molecular: pela primeira vez no Brasil, os especialistas sequenciarão o tumor para identificar o grau de agressividade, algo que antes apenas centros de excelência na Europa e nos EUA realizavam..
• Inteligência artificial: modelos preditivos para antecipar o comportamento da doença e o risco de metástase (que atinge 50% dos casos). A pesquisa utiliza algoritmos de IA para analisar o DNA e o comportamento das células dos pacientes. Através de técnicas chamadas de clustering (agrupamento inteligente), o computador consegue identificar padrões invisíveis ao olho humano, separando os pacientes em perfis moleculares específicos.
• Biópsias minimamente invasivas: protocolos que permitem o estudo da genética da população brasileira sem comprometer a estrutura ocular.

Encaminhamento para o HA

Com o “Centro de Tratamento de Melanoma Uveal”, o HA passará a oferecer a braquiterapia ocular não só aos pacientes elegíveis que já se tratam na instituição, mas também a pacientes de outras unidades.

Portanto, médicos que tenham pacientes com casos confirmados de melanoma uveal, podem encaminhar os relatórios e documentações para a avaliação da equipe do HA. Garantindo que essa tecnologia de ponta chegue a quem mais precise.

Assim, os critérios para o encaminhamento são: tumores com menos de 10mm de altura; tumores com menos de 16mm de base e doença não metastática.

Enviar e-mail com o tópico “Melanoma Uveal” contendo os dados pessoais e clínicos do paciente para: agendamentoss@hospitaldeamor.com.br.

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