O vice-presidente, Geraldo Alckmin (PSB), indicou a aliados que não deseja disputar o governo do estado de São Paulo. A prioridade política de Alckmin é ser novamente candidato a vice de Lula (PT). Segundo aliados, mesmo que seja descartado da chapa de reeleição, o atual vice-presidente não pretende ceder à pressão de um núcleo do PT para que ele dispute o Palácio dos Bandeirantes.
Na quinta (5), em entrevista a Daniela Lima, do portal Uol, o presidente Lula afirmou que Alckmin “terá papel a cumprir em São Paulo”. A afirmação do presidente acendeu um sinal de alerta em Alckmin e no PSB. O PT escolheu Lula para a próxima eleição, mas tudo indica que ele ainda não definiu quem será seu vice. O presidente nacional do PT, Edinho Silva, afirmou nesta segunda (9) que Alckmin será candidato ao que ele quiser, já o prefeito de Recife (PE) e presidente nacional do PSB, João Campos, declarou que “não se mexe em time que está ganhando”.
Segundo informações, o PT busca estreitar laços com o MDB, sigla presidida pelo deputado federal, Baleia Rossi (SP). Assim, em conversa recente, Simone Tebet (MS) afirmou ter conversado com Lula e ter recebido apoio à sua candidatura ao senado por São Paulo. A ministra apontou que ainda não há uma definição, mas terá nova conversa com o presidente e, possivelmente, seguirá sua orientação. Marina Silva também teve apoio a sua candidatura ao senado. Silva, também terá conversa com Lula e deve se filiar ao PT em breve.
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Enfraquecimento do PSDB no Estado e crescimento do bolsonarismo desestimulam Alckmin
Aliados do vice-presidente também sustentam que São Paulo não é o mesmo desde que ele deixou o governo estadual, em 2018. O enfraquecimento do PSDB e a transformação do interior paulista, antes mais associado ao tucanato e hoje mais próximo do bolsonarismo, aparecem como fatores centrais para explicar a resistência do vice a um retorno eleitoral. A avaliação é que há forte resistência à gestão petista em parcelas do estado, especialmente fora da capital.
Ainda segundo esses aliados, é muito mais fácil Fernando Haddad (PT-SP) aceitar disputar ao governo paulista, algo que ele já mencionou que também não deseja, que Alckmin aceitar. O PT ainda tem o nome de Alckmin como alguém capaz de enfrentar Tarcísio Freitas (REP). Haddad, que declarou desejo em ficar à disposição da campanha da reeleição, segue como possível opção.