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Ex-presidente do BRB é preso suspeito de receber R$ 146 milhões em propina do Master

Foto: Carolina Curi / Agência CLDF

Propina de R$ 146 milhões

CEO de holding com Vorcaro

Em outro trecho do relatório que autorizou a operação, Mendonça reproduz uma mensagem enviada por Costa a Vorcaro agradecendo uma conversa que tiveram e “empolgado” com o que estavam construindo juntos. Ele ainda fala em “alinhamento pessoal”, de que “estamos bem alinhados em relação ao trabalho, visão de mundo e perfil”.


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Costa acelerou negócios fraudulentos com o Master

Mendonça cita na decisão que Paulo Henrique Costa e o então diretor financeiro do BRB, Dário Oswaldo Garcia Júnior, sabiam de “inconsistências relevantes”. A respeito das carteiras de crédito fraudulentas oferecidas pelo Master. Visto que, ainda assim, o banco estatal as comprou por R$ 12,2 bilhões em meados de junho do ano passado.

“Apesar disso, as aquisições teriam sido aceleradas, com sucessivas flexibilizações procedimentais e pressão para liquidação rápida, em aparente desprezo aos controles prudenciais”, escreveu o ministro.

Depoimentos de servidores do BRB à Polícia Federal confirmaram que a cúpula da instituição ignorou alertas sobre riscos em operações com o Banco Master, e que setores internos já haviam identificado problemas e possíveis irregularidades antes de qualquer investigação externa.

A Polícia Federal também identificou uma “produção massificada de documentos artificiais” internos para “conferir aparência de higidez a ativos sem lastro”. A investigação cita o que seria uma “verdadeira ‘linha de produção'” do próprio Banco Master voltada à “criação e circulação dessas carteiras fraudulentas”.

Durante a primeira fase da Operação Compliance Zero, em novembro do ano passado, Costa foi alvo de busca e apreensão, ao mesmo tempo em que a Polícia Federal prendia preventivamente o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. Enquanto isso, o Banco Central (BC) oficializava a liquidação extrajudicial, retirando oficialmente a instituição do sistema financeiro nacional.

Costa presidiu o BRB entre os anos de 2019 e 2025 por indicação do então governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB-DF). Ele ainda atuou na Caixa Econômica Federal por quase duas décadas como vice-presidente de Clientes, Negócios e Transformação Digital.

Defesa critica prisão e nega acusações

Em entrevista a jornalistas em frente ao edifício em que Costa mora em Brasília, o advogado Cleber Lopes negou as suspeitas de irregularidades envolvendo o ex-presidente do BRB. Ele ainda criticou a prisão, afirmando que não havia nenhum perigo para o andamento das investigações.

“A defesa considera, num primeiro momento, a prisão absolutamente desnecessária. Mas, em respeito ao ministro André Mendonça, a defesa não vai fazer outras considerações ainda acerca da decisão tomada por sua excelência, até que a defesa possa examiná-la com mais calma, pra que possa tomar alguma providência nos próprios autos ao STF”, afirmou.

Lopes ainda afirmou que não considera “como uma hipótese válida” que Paulo Henrique Costa recebeu propina de Vorcaro através de imóveis em São Paulo.

“Eu continuo convencido, o Paulo Henrique Costa continua convencido, e vamos examinar. A defesa continua firme na convicção de que o Paulo Henrique Costa não cometeu crime algum”, completou.

BRB adquiriu ativos e planejava comprar o Master

As investigações envolvem a aquisição de ativos do Master pelo BRB sem valor real, que passaram a ser chamados de “ativos podres”. O que se busca entender é se os dirigentes da estatal sabiam que o banco tentava mascarar uma crise de liquidez, beneficiando a empresa mesmo assim. O prejuízo pelo envolvimento com a companhia de Vorcaro é estimado em R$ 12,2 bilhões.

A negociação de ativos se soma à ideia de compra do próprio Master, também sob suspeita. Os investigadores têm o envolvimento de Costa no planejamento de compra como um dos principais pontos a esclarecer.

A tentativa da defesa de Vorcaro de obter o benefício da delação premiada ameaça expor novos detalhes das relações entre o banqueiro e nomes da cúpula dos poderes. O caso, que inicialmente tratava apenas de questões bancárias, evoluiu para investigações de uma suposta milícia privada para silenciar opositores.

Em um capítulo que ampliou as suspeitas,  Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, morreu na prisão. Apesar da suspeita de suicídio, ainda não há um laudo que confirme a causa da morte.

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