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Holdings crescem quase três vezes acima da média de abertura de empresas em São Paulo

Levantamento da Jucesp aponta alta de 93,8% nas constituições dessas estruturas jurídicas; especialista atribui movimento à busca por governança, sucessão e planejamento patrimonial

O número de holdings constituídas no estado de São Paulo praticamente dobrou em apenas um ano. Dados da Junta Comercial do Estado de São Paulo (Jucesp) mostram que, entre janeiro e abril de 2026, foram abertas 5.635 holdings de instituições não financeiras. Logo, um crescimento de 93,8% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram registradas 2.907 constituições.

O avanço chama ainda mais atenção quando comparado ao crescimento geral da abertura de empresas no estado. Enquanto o total de novos negócios aumentou 32,2% no primeiro quadrimestre, as holdings cresceram quase três vezes mais. Portanto, indicando que esse tipo de estrutura jurídica vem ganhando espaço entre empresários que buscam organizar patrimônio, profissionalizar a gestão e planejar a sucessão familiar.

Embora a sucessão familiar e a adoção de práticas de governança sejam os principais fatores por trás desse movimento, a expectativa em torno da reforma tributária também tem levado muitas famílias empresárias a anteciparem decisões relacionadas ao planejamento patrimonial e à reorganização societária. Logo, o novo cenário tributário ampliou o interesse por estruturas capazes de oferecer maior previsibilidade e eficiência na administração dos bens e dos negócios.

Na avaliação do advogado especializado em direito empresarial Daniel Cabrera, o crescimento reflete uma mudança importante na forma como as famílias empresárias enxergam a continuidade de seus negócios.

“Durante muito tempo, a sucessão era um assunto adiado até que se tornasse inevitável. Hoje percebemos um movimento diferente. Muitas famílias passaram a entender que organizar a estrutura patrimonial e definir regras de governança ainda em vida reduz conflitos. Além disso, aumenta significativamente as chances de preservar tanto o patrimônio quanto a própria empresa.”

O Papel das Holdings e a Democratização do Acesso

As holdings familiares são sociedades criadas para concentrar a administração de bens e participações societárias de uma mesma família. Além de facilitar o planejamento sucessório, elas estabelecem regras claras para a gestão do patrimônio. Portanto, a
istribuição de responsabilidades e tomada de decisões, reduzindo disputas entre herdeiros.

Segundo Cabrera, o crescimento observado pela Jucesp acompanha um amadurecimento da gestão empresarial, impulsionado pela percepção de que a continuidade dos negócios depende de planejamento e organização.

“É um equívoco imaginar que holdings servem apenas para famílias extremamente ricas. Cada vez mais empresários de pequeno e médio porte têm buscado essa estrutura para organizar seus negócios, separar o patrimônio pessoal do empresarial e criar mecanismos que garantam segurança para as próximas gerações.”

Embora sejam frequentemente associadas à proteção patrimonial, as holdings não representam uma blindagem absoluta dos bens. De acordo com o especialista, sua eficácia depende de um planejamento legítimo, realizado de forma preventiva e acompanhado de boas práticas de governança.

“Quando existe confusão patrimonial ou desvio de finalidade, a legislação permite a desconsideração da personalidade jurídica. Por isso, o maior benefício da holding não é esconder patrimônio, mas organizar sua administração de forma transparente, eficiente e alinhada aos objetivos da família.”

Outro aspecto apontado pelo advogado é que a criação de uma holding não significa abrir mão do controle da empresa. Pelo contrário. Os fundadores normalmente permanecem responsáveis pela administração da estrutura e podem estabelecer regras sobre sucessão, distribuição de resultados e participação dos herdeiros na gestão.

Governança e Continuidade nos Negócios Familiares

“A grande vantagem do planejamento realizado ainda em vida é permitir que o fundador defina como deseja que seu patrimônio e seus negócios sejam administrados no futuro. Isso reduz incertezas, evita disputas familiares e aumenta as chances de que a empresa atravesse gerações preservando seu legado.”

O tema ganha relevância em um país onde as empresas familiares predominam. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), nove em cada dez empresas brasileiras possuem origem familiar. Ao mesmo tempo, levantamento do Banco Mundial mostra que apenas cerca de 30% dessas organizações chegam à terceira geração, reforçando a importância de mecanismos capazes de estruturar a sucessão e fortalecer a governança.

Para Cabrera, os números da Jucesp demonstram que essa preocupação deixou de ser uma pauta restrita às grandes fortunas e passou a fazer parte da estratégia de empresas de diferentes portes.

“As holdings deixaram de ser vistas apenas como um instrumento jurídico. Hoje elas representam uma ferramenta de gestão, de organização patrimonial e de continuidade empresarial. O crescimento observado pela Jucesp mostra que cada vez mais empresários compreenderam que planejar a sucessão não significa pensar no fim de um ciclo, mas criar as condições para que a empresa continue prosperando nas próximas gerações.”

Por: Thriz Comunicação Assessoria de Imprensa e Conteúdo | (11) 2381-1299
Thamiris Rezende | trezende@thriz.com.br | (11) 94445-1185
Cynthia Castro | ccastro@thriz.com.br | (11) 94804-3895

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